Nesta quinta-feira (04/09/2025), foi lançada uma campanha nacional pela divisão justa do trabalho doméstico entre homens e mulheres, com o objetivo de enfrentar a sobrecarga feminina e promover maior equilíbrio na rotina das famílias brasileiras. A proposta busca conscientizar a sociedade sobre a necessidade de distribuir tarefas como limpeza, preparo de refeições, cuidado com filhos e idosos de maneira equitativa.
A mobilização conta com apoio de organizações sociais, entidades de defesa dos direitos das mulheres e órgãos governamentais, além de campanhas educativas veiculadas em redes sociais, rádios e emissoras de televisão.
Contexto da desigualdade
Pesquisas do IBGE apontam que as mulheres ainda dedicam, em média, 21 horas semanais a atividades domésticas, quase o dobro do tempo registrado entre homens. Essa disparidade repercute no mercado de trabalho, já que muitas profissionais enfrentam dificuldades para conciliar carreira e responsabilidades familiares.
Entre os pontos centrais da campanha está a necessidade de estimular mudanças culturais. A divisão desigual do trabalho doméstico não é apenas um problema individual, mas uma questão estrutural que impacta a economia, a saúde mental e a qualidade de vida.
Estratégias da campanha
Ações de comunicação
- Produção de vídeos e spots de rádio com a mensagem central: “Trabalho de casa é de todos”.
- Distribuição de cartilhas em escolas e postos de saúde com orientações práticas para o compartilhamento de tarefas.
- Criação de um portal interativo com ferramentas de organização familiar e acompanhamento da divisão das responsabilidades.
Participação comunitária
Além da comunicação institucional, a iniciativa prevê oficinas comunitárias em diversas capitais, nas quais famílias poderão debater formas de reorganizar suas rotinas. Haverá também capacitação para líderes comunitários, professores e profissionais de saúde, de modo a ampliar o alcance da mensagem.
Impactos esperados
Segundo especialistas em políticas públicas de gênero, a divisão justa do trabalho doméstico pode contribuir para reduzir desigualdades salariais, aumentar a participação feminina em cargos de liderança e melhorar indicadores de saúde mental. Também fortalece a noção de que os cuidados com a casa e a família não devem ser encarados como uma obrigação feminina, mas como uma responsabilidade coletiva.
Hábitos enraizados
A campanha se mostra necessária em um país onde a desigualdade no trabalho doméstico ainda é acentuada. Contudo, enfrenta o desafio de transformar hábitos enraizados culturalmente. Sem políticas públicas mais abrangentes, como ampliação da rede de creches, programas de apoio às famílias e incentivos a empresas que promovam equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o impacto da iniciativa pode ser limitado. O risco é que a campanha se torne apenas uma ação simbólica, sem efetiva mudança estrutural.








