Setor financeiro e governos mostram profundo ceticismo sobre criptomoedas, diz pesquisa

O setor financeiro e governos, em sua maioria, avaliam as criptomoedas como arriscadas e citam potencial para que moedas digitais como bitcoin sejam usadas em esquemas de lavagem de dinheiro e de evasão de sanções, afirma um levantamento divulgado nesta terça-feira (29/09/2020).

Cerca de 60% dos entrevistados dos setores financeiro e governamental afirmaram na pesquisa realizada pelo grupo de estudos Royal United Services Institute e pela Associação de Especialistas contra Lavagem de Dinheiro que criptomoedas são mais um risco que uma oportunidade. O uso ilícito delas é uma das principais preocupações.

O estudo é um dos mais detalhados esforços até agora para mapear as visões dos tomadores globais de decisões sobre criptomoedas, mostrando o nível de cetismo em relação à tecnologia.

O levantamento indica que ainda existem grandes dificuldades para que as criptomoedas ganhem aceitação mais ampla, apesar de países estarem discutindo como regulá-las. A União Europeia, por exemplo, vai lançar novas regras sobre algumas moedas digitais até 2024.

A percepção de que as criptomoedas são usadas por criminosos está profundamente enraizada, segundo a pesquisa. Quase 90% dos entrevistados do setor financeiro mostraram preocupação sobre moedas digitais sendo usadas para lavagem de dinheiro. Mais de 80% estão preocupados com a utilização de moedas digitais como forma de contornar sanções impostas no sistema financeiro formal.

“Todos os pesquisados disseram que as criptomoedas são vulneráveis a criminosos”, afirmaram os autores do levantamento.

Apenas 20% dos entrevistados do setor financeiro e de outras empresas privadas disseram que consideram as moedas digitais como uma oportunidade, segundo a pesquisa. Entre as potenciais vantagens citadas está ampliar o acesso a serviços financeiros.

A pesquisa foi baseada em mais de 550 respostas de instituições financeiras, autoridades, agências de regulação financeira e de escritórios de advocacia e empresas de seguros. O levantamento também ouviu o próprio setor de criptomoedas.

*Com informações de Tom Wilson, da Agência Reuters.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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