Seminário destaca a importância da China como parceiro do Brasil e debate crise econômica global

(Three Pagodas in Yunnan, China) - O cenário de recessão mundial deverá durar ao menos uma década, e os países da Ásia, em especial a China, serão os únicos a apresentar índices de crescimento consideráveis.
(Three Pagodas in Yunnan, China) – O cenário de recessão mundial deverá durar ao menos uma década, e os países da Ásia, em especial a China, serão os únicos a apresentar índices de crescimento consideráveis.

O cenário de recessão mundial deverá durar ao menos uma década, e os países da Ásia, em especial a China, serão os únicos a apresentar índices de crescimento consideráveis, segundo análise de economistas que participaram na sexta-feira (29/07/2012) de seminário da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sobre o tema.

O evento, com coordenação do diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, Carlos Langoni, reuniu empresas de grande porte – o Banco Itaú, a Petrobras e a Vale do Rio Doce – analistas da imprensa e técnicos da agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Os participantes acreditam que a crise não atinge os países asiáticos e o Brasil, ficando restrita aos países europeus e outros que estejam ligados mais diretamente ao velho continente.

Segundo Langoni, a crise atual é resultado de uma série de erros nas políticas macroeconômicas nas duas últimas décadas, que levam à necessidade de um “acerto compulsório” das economias europeia e americana. Para ele, o Brasil mantém-se firme no cenário global, inclusive diante da proximidade dos megaeventos que promoverá, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

“O que o Brasil fez, nos últimos anos, foi praticar políticas econômicas consistentes. Nós estamos em uma transição, em que as políticas consistentes do passado geraram um ímpeto de crescimento alavancado pela mobilidade social e pela expansão do mercado interno e pelos ventos favoráveis externos, especialmente por meio do boom das commodities”, observou.

Agora, disse Langoni, é hora de o país inovar. “Este ciclo parece que chegou ao seu final. Nós precisamos nos reinventar ou nos renovar, em termos de estratégia de desenvolvimento, porque o potencial continua o mesmo. É questão apenas de acionar os instrumentos que estão à nossa disposição.” Langoni classificou a iniciativa privada como um importante parceiro para colaborar nesse processo, por meio de privatizações ou concessões.

Para o economista-chefe do Itaú e ex-diretor do Banco Central, Ilan Goldfajn, a recessão europeia pode durar ao menos uma década. E, diante disso, hoje, a China é o mais importante parceiro para o Brasil, adquirindo papel mais preponderante do que a Europa. Minimizando o rebaixamento das notas dos bancos brasileiros pela agência de classificação de risco Moody’s, ele analisou a crise europeia e o papel dos bancos centrais na recuperação das economias.

A China também teve seu papel destacado pelo diretor financeiro da Vale, Tito Martins, no seminário. “A Ásia hoje é o centro do mundo.” Ele acredita que não há possibilidade de a China parar de crescer, em grande parte devido a seu plano de investimentos, principalmente em infraestrutura. “A Europa, felizmente, para nós, hoje, tem um impacto menor do que tinha há 20 anos atrás. Qualquer crise gerará um impacto, em uma empresa brasileira que exporte commodities, menor do que há alguns anos”, disse Martins.

Regina Nunes, responsável na América Latina pela agência Standard&Poors, fez uma análise da capacidade brasileira em encarar a crise e destacou que, embora a dívida do país seja pesada, em torno de 50% do Produto Interno Bruto (PIB), há espaço para manobras porque o Brasil tem uma boa política monetária, a seu ver. “Nós temos muito pouco espaço de manobra para se fazer um movimento contracíclico com a parte fiscal. Por outro lado, existe, sim, um espaço para o Brasil fazer um movimento com suas políticas monetárias”, observou.


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