Pescador …É tempo de navegar

Pescador …É tempo de navegar. Poemas de Roberto Lages

Conheci o poeta Roberto Lages no distante e querido Planeta Acre. Nas inúmeras visitas e estadias nesta minha patria chica (pátria afetiva) que é Rio Branco, sempre que coincide as nossas agendas litúrgicas, temos a feliz oportunidade de navegar na Santa Luz do Barquinho Santa Cruz, firmemente capitaneado pelo timoneiro Antonio Geraldo da Silva Filho, o marinheiro de Luz.

Ao término de uma destas viagens pelas ondas do Mar Sagrado, já com os pés fincados em terra firme, Roberto Lages cantarolou uma das suas inúmeras canções/poemas — no caso um samba de breque — lembrando a minha condição de bom baiano.

Sou mineiro de nascença
Baiano de coração
Amazônida essência
No Rio outra paixão

Minas preciosa
Joia rara da nação
Liberdade é uma flor
De amor e união

Bahia do Salvador
O Senhor dos Navegantes
No Bom Fim Ele é quem dá
O farol pra seus amantes

Do norte eu vi descer

Num barquinho de cristal
A magia da floresta
Ensinou etecetera e tal — eu falei

Brasileiro sei que sou
E disso não abro mão
O Brasil é muito lindo
E Rio de Janeiro continua bom – pra parar.

O título desta canção é “Brasileiro”, assim se declara Roberto Lages — mas o que ele é mesmo é filho de Inti e da Rainha da Floresta.

Neste ano da graça de 2012 Roberto Lages nos brinda com o livro “Pescador …É tempo de navegar”, e essa viagem poético-literária nos arrebata do primeiro ao último verso de seus poemas canções.

São poemas românticos, existenciais, sentimentais, alguns poucos de um raro erotismo masculino, e muitos, muitos poemas místicos, de caráter religioso, recitados em oração.

Roberto Lages retoma assim a verve literária da mística cristã, de máximos poetas da cristandade, como Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, bardos espanhóis.

Todavia, o adendo e originalidade de seus poemas sacros estão na inspiração advinda da floresta, na marcante influência do cristianismo popular replantado na Floresta Amazônica pelos iluminados mestres ayahuasqueiros — hierofantes amazônidas.

Este livro poderia chamar-se também “Eu venho da floresta, com meu cantar de amor”, parodiando célebre hino doutrinário.

A seguir, apresentamos o release do livro do irmão amigo Roberto Lages.

Pescador …É tempo de navegar. Livro de Roberto Lages
Roberto Lages, nascido em Belo Horizonte, é publicitário, artista plástico, artesão, produtor cultural e compositor. Conheceu Rio Branco-Acre em 1984, de lá pra cá esteve por diversas vezes na Amazônia participando de projetos como o da pesquisa e criação de Bio-Joias, artesanatos confeccionados com sementes (Boca do Acre, 92/96), tendo realizado em Rio Branco (2010) uma exposição itinerante de Painéis confeccionados com sementes.

Em Belo Horizonte produziu diversos eventos culturais e participou em outros tantos com seus trabalhos de artes plásticas e com sua musica. Criou e coordenou um grupo denominado “Amazônia Verde Escola” que se destinou ao trabalho de socialização de jovens adolescentes. Tendo também criado um grupo musical “VERDIN”, o qual durante dois anos (2006/08) participou de diversos eventos relacionados ao meio ambiente ecológico e em festivais de musica.

O livro fala

Tanto nos escritos como nas ilustrações, uma linha de tempo fica evidente: Um tempo de navegar… O Livro fala de muitas viagens, cada texto um porto de chegada ou de partida, fala de amores, fala de flores e das dores. Fala de perdão, de esperança de fé. Fala de ecologia, fala de magia e fantasia, fala de verdades, fala de muitas cidades, fala da Amazônia e de que “nem tudo é só quimera, suas matas suas feras o povo com quem vivi”…

Nas linhas ou entrelinhas, a viagem se faz presente: O nome “Pescador”, aquele que busca; a figura do Peixe, o alimento; o Barco, o próprio corpo; a presença da Lua, das fases da lua como marcando o tempo as estações… O Rio, a vida… O Mar… Ah!!! O Mar….

APOIO CULTURAL SESC ACRE, MIRAGINA
PATROCINIO FUNDAÇÃO CULTURAL ELIAS MANSUR (GOVERNO DO ESTADO DO ACRE)


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