Novos negócios no universo dos criptoativos: Hashdex anuncia lançamento de ETF sustentável de Bitcoin; Ativo foi autorizado pela CVM

Existem várias formas de ingressar no universo da criptografia digital seja através de transações como a mineração digital, investimentos diretos em criptoativos, a exemplo das criptomoedas e dos NFT’s (non-fungible token, token não-fungível) e, ou, por meio de fundos de índice tipo ETFs (Exchange Traded Fund).

Aplicativos, a exemplo do Bitcoin Profit, facilitam o acessos à essas tecnologias e permitem que pessoas, empresas e organizações possam participar do universo de novos negócios digitais. Mas, alerta-se que elas devem verificar, sempre, de que forma realizam os investimentos, porque toda atividade desenvolvida no ciberespaço envolve riscos e recompensas.

Nesse contexto de novos negócios, surge como opção de investimento o ETF sustentável de Bitcoin (Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Price Fundo de Índice — BITH11). O ativo financeiro digital foi lançado pela Hashdex, nesta terça-feira (13/07/2021).

O ETF terá 1% de taxa de administração, a expectativa é que a cota seja a partir de R$ 50 e será negociado na Bolsa de Valores B3.

Segundo comunicado da empresa, esse é o primeiro fundo sustentável lançado no Brasil com base em um ativo digital, cuja finalidade é contribuir com neutralização das emissões de carbono resultantes da mineração digital.

Segundo a gestora de criptoativos, o ETF pretende reduzir a geração de carbono, e com isso, o impacto na natureza, a partir de investimentos em projetos que adotem a tecnologias autossustentáveis e que não degradem o meio ambiente.

Para atingir o objetivo, Roberta Antunes, Chief of Growth da Hashdex, explica que terá a assessoria da Crypto Carbon Ratings Institute (CCRI), empresa alemã que possui metodologia reconhecida para cálculo de emissão de carbono em redes blockchain.

A CCRI ficará encarregada da seleção dos potenciais parceiros, além de produzir relatórios anuais com as estimativas do consumo de energia e emissão de carbono oriundos do processo de mineração dos bitcoins adquiridos pelo Hashdex Nasdaq Bitcoin ETF – fundo de índice alvo do BITH11.

As empresas XP, o Itaú BBA e o Banco Genial serão os coordenadores da oferta pública do novo ETF, cuja lançamento foi autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Não há um limite máximo para captação, mas a Hashdex tem como meta alcançar valores próximos aos conquistados com o lançamento do HASH11, o primeiro ETF de criptomoedas do Brasil.

A gestora de fundos

A Hashdex é uma fintech especializada na gestão de ativos, fundada em 2018 no Rio de Janeiro. Sua principal atividade é oferecer ao mercado financeiro tradicional uma forma de investir em diferentes criptomoedas, como Bitcoin, Ether e Ripple, por meio de veículos de investimentos regulados ou fundo de investimento.

O que são os criptoativos

Os criptoativos são ativos digitais criptografados sob a tecnologia blockchain, negociados no ciberespaço e que possuem registros exclusivamente virtuais. Ao investir em Bitcoins, por exemplo, você estará investindo no criptoativo do tipo criptomoeda.

O que é um fundo de índice tipo ETF

Um ETF (Exchange Traded Fund, fundo de índice) são fundos de investimento constituídos com o objetivo de investir em uma carteira de ações que busca replicar a carteira e a rentabilidade de um determinado índice de referência (índice subjacente), como o Ibovespa. Ele possui, no entanto, algumas características específicas que o distingue dos fundos tradicionais. São duas, principalmente:

  1. Os ETFs sempre são atrelados a um índice de referência, também chamado de subjacente. Significa que o gestor ajusta a composição do ETF de modo que ela seja a mais parecida possível com a do indicador. Imagine um fundo de índice ligado ao Ibovespa. O papel do gestor, nesse caso, será usar os recursos dos investidores para comprar as mesmas ações incluídas na carteira do índice, e na mesma proporção.
  2. As cotas dos ETFs são negociadas no pregão da bolsa de valores como se fossem ações. Seu desempenho oscila conforme a performance dos papéis contemplados pela sua carteira, e também responde à oferta e à demanda pelas cotas no mercado.

O mercado de ETFs é muito conhecido e desenvolvido no exterior. No Brasil, foi regulamentado em 2002, mas apenas mais recentemente passou a ganhar mais relevância na carteira dos investidores.

O primeiro ETF brasileiro, conhecido como PIBB (ou Papéis de Índice Brasil Bovespa), existe desde 2004. Ele é referenciado no IBrX-50 – índice formado pelas 50 ações mais negociadas e representativas da bolsa brasileira – e foi criado para estimular o acesso dos pequenos investidores ao mercado de ações. Hoje, é administrado pelo Itaú.

Nos últimos anos, uma série de novos ETFs foram lançados no país, referenciados em índices como Ibovespa, Índice de Governança Corporativa (IGC), Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), Índice de Dividendos (IDIV) e até S&P 500, um dos principais índices do mercado americano de ações. Também existem hoje ETFs que têm como base índices de renda fixa, como o IMA-B (que acompanha o desempenho de títulos públicos atrelados à inflação).

A cada ano, o volume de negociações com ETFs aumenta. Em 2018, a média diária foi de R$ 432 milhões. Aumentou para R$ 780 milhões em 2019 e para R$ 1,5 bilhão nos dois primeiros meses de 2020.

Tipos de ETFs

No mercado global de ETFs, há uma variedade grande de tipos diferentes de ETF. São muito conhecidos os fundos de índices de ações, e só nesse grupo já existem muitas opções: ETFs de índices amplos, segmentados, setoriais, nacionais ou internacionais. Mas há também fundos de outros tipos de índices, como ETFs de moedas, de commodities ou de papéis de renda fixa.

No mercado brasileiro, os ETFs de renda variável são os mais numerosos. Em maio de 2020, havia mais de 20 listados. Existem também ETFs de renda fixa, que replicam índices formados por títulos públicos com diferentes prazos médios de vencimento.

Rentabilidade

O objetivo de um gestor de ETFs sempre é manter a carteira o mais próximo possível da composição do seu índice de referência. Por consequência, a rentabilidade de um fundo de índice bem sucedido nessa tarefa será a mesma (ou quase a mesma) apresentada pelo indicador.

Pense em um ETF referenciado no Ibovespa. Se em um determinado período o índice subir 10%, o que se espera é que o ETF apresente uma rentabilidade muito perto disso. Em contrapartida, se o Ibovespa recuar 10% no período seguinte, o mesmo deverá acontecer com o fundo de índice: sua rentabilidade também será negativa.

Podem haver pequenas variações na rentabilidade do ETF, em relação à oscilação do seu índice de referência. Isso acontece por algumas razões. A primeira é a taxa de administração. Embora seja considerada baixa, ela abocanha uma pequena parte do retorno do fundo.

A segunda diz respeito às operações em si feitas no ETF. O gestor, em certos momentos, pode ter dificuldade para replicar exatamente a composição do índice de referência, por razões variadas – seja por uma redução da liquidez dos papéis que deveria ter na carteira, seja por conta de variações abruptas do mercado. Com isso, a rentabilidade do ETF pode acabar ficando ligeiramente diferente do indicador. Em geral, no entanto, esses descolamentos são pequenos e momentâneos.

Tributos e custos

Os custos de negociar ETFs são semelhantes aos que existem para comprar e vender ações na bolsa de valores. É preciso pagar uma taxa de corretagem para a corretora que intermediar a operação e, além disso, algumas taxas de negociação à B3 (conhecidas como emolumentos). Até aqui, nada de novo em relação à renda variável de maneira geral.

A primeira diferença está na cobrança de taxa de administração que é paga ao gestor do ETF. Essa taxa remunera o trabalho realizado pelo gestor, que é o responsável por definir que papéis serão comprados ou vendidos, quando e em que quantidade. Para quem já investe em fundos tradicionais, não é um custo desconhecido. A diferença é que a taxa de administração dos ETFs costuma ser bem menor do que a do mercado em geral.

Os ETFs estão sujeitos ainda à incidência de Imposto de Renda. A alíquota é a mesma aplicada sobre o mercado de ações em geral: 15% sobre os ganhos, com exceção do ETF de fundos imobiliários, no qual a alíquota é de 20%. A diferença é que, no caso dos ETFs, não há isenção de IR para quem realiza vendas na bolsa de valores em valor até R$ 20 mil mensais. Esse é um benefício disponível apenas para quem negocia ações diretamente.

Um detalhe: embora os ETFs sejam fundos, o recolhimento do Imposto de Renda no caso dos produtos de renda variável não acontece na fonte. É responsabilidade do investidor calcular o valor do tributo devido em caso de ganhos no momento da venda das cotas e realizar o pagamento por meio de um Documento de Arrecadação da Receita Federal (DARF) até o último dia útil do mês seguinte à operação.

Nos ETFs de renda fixa, o imposto de 15% é retido na fonte, com recolhimento pela corretora intermediadora.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading