Brasil pode retaliar Estados Unidos por causa de política de subsídios a produtores de algodão, diz embaixador

A decisão do Brasil em exercer as sanções aprovadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2009, devido à política norte-americana de subsídios ao algodão vai depender do entendimento da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que dará a palavra final se o momento é oportuno para tal medida. A afirmação é do representante permanente do Brasil na OMC, embaixador Roberto Azevedo. “O Brasil não deseja fazer retaliações à política norte-americana de subsídios ao algodão, mas pode ser levado a isso”, disse.

A revelação foi feita na sexta-feira (20/07/2012), quando está em discussão, no Congresso norte-americano, o acordo para uma nova lei agrícola (Farm Bill) em substituição à lei atual, que vence no final de setembro. O texto aprovado pela Câmara dos Deputados prevê a garantia de subsídios aos produtores de algodão e outros benefícios considerados ilegais pela OMC, prejudiciais aos produtores e à cotonicultura dos países em desenvolvimento.

Para Azevedo, os “efeitos distorsivos” do acordo em negociação pelos congressistas dos Estados Unidos “não permitem entendimento satisfatório. Em vez de combater a subvenção do governo aos produtores locais de algodão, dada desde 1934, que motivou a queixa do governo brasileiro, o acordo em discussão, para a nova lei agrícola, prevê aumento dos subsídios.”

O embaixador considera a situação “inquietante” já que, a seu ver, não há “justificativa convincente” para o acordo dos congressistas norte-americanos, que, hoje, é mais prejudicial ao Brasil do que antes. “O produtor tem que responder aos estímulos do mercado e não às subvenções do governo”, disse. Azevedo afirmou ainda que a alteração na lei agrícola “distorce as condições de competição do mercado”.

O embaixador comentou sobre as discussões em torno da lei agrícola americana depois de mais uma rodada de entendimento entre autoridades do Brasil e dos Estados Unidos em busca de uma saída negociada para o contencioso do algodão, de modo a evitar a retaliação brasileira contra produtos americanos, nos termos do direito compensatório aprovado pela OMC.

Os encontros, realizados desde a última terça-feira (17), tiveram a participação de representantes da iniciativa privada ligados à cultura do algodão. As autoridades dos dois países terão mais uma rodada de negociações em outubro. Azevedo destacou que o acordo aprovado pelos deputados americanos não tem sido, no entanto, “base para as conversações”.

Até o momento, o governo norte-americano tem depositado mensalmente, desde abril de 2010, uma cota de US$ 12,275 milhões para o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), a título de reparação de prejuízos ao produtor brasileiro.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da PMSE: Campanha do São João 2026.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading