As Nações Unidas receberam os líderes mundiais nesta quinta-feira (24/09/2021) para a Cúpula dos Sistemas Alimentares, com o objetivo de transformar a maneira como os alimentos são produzidos e distribuídos.
Segundo dados da organização, mais de 800 milhões de pessoas no mundo passam fome e 3 bilhões não têm dinheiro para ter uma alimentação saudável. Na conferência, o secretário-geral da ONU disse ainda que 2 bilhões de pessoas estão acima do peso ou obesas, enquanto 462 milhões estão desnutridas.
Desafio difícil
António Guterres lembrou de outro dado importante: um terço dos alimentos produzidos são perdidos ou desperdiçados todos os anos. Por isso, o chefe da ONU defendeu um mundo onde todas as pessoas tenham acesso a refeições saudáveis e nutritivas.
Ele reconheceu que a pandemia de Covid-19 tornou este desafio ainda mais difícil, empurrando milhões para a pobreza extrema e aumentando a fome em vários países.
Guterres destacou também que o atual sistema de produção de alimentos causa enormes impactos ao meio ambiente, gerando um terço das emissões de gases de efeito estufa e sendo responsável por 80% das perdas da biodiversidade.
Pessoas, planeta, prosperidade
O secretário-geral lembrou que a Cúpula já vem sendo preparada há meses, causando uma “injeção de vida no multilateralismo”, com a participação de governos, empresas e sociedade civil.
Guterres destacou que o futuro dos sistemas alimentares de 148 países está sendo traçado agora. Segundo ele, essa transformação precisa servir às pessoas, ao planeta e à prosperidade.
O chefe da ONU defendeu um sistema alimentar que apoie a saúde e o bem-estar de todos, já que a “desnutrição e a fome não são forças da natureza, mas resultado da falta de ações de todos nós”.
Novos hábitos
António Guterres pediu à comunidade global “aumento da distribuição de comida em áreas afetadas por conflitos ou emergências climáticas”; “investimentos em sistemas de prevenção da fome”; “contribuição para a nutrição adequada para todos, já que muitas vezes dietas nutritivas são caras ou não estão disponíveis” para muitos.
Ele fez um apelo por trabalho em conjunto de empresas e de governos para aumentar o acesso a dietas saudáveis, incentivando, por exemplo, novos hábitos. Guterres elogiou países que já defendem acesso universal para refeições nutritivas nas escolas.
O secretário-geral afirmou que a mudança nos sistemas alimentares não é apenas possível, mas é necessária. Para Guterres, o momento do trabalho conjunto é mesmo agora.
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