Do Brasil para a COP26, indígena Txai Surui fala aos líderes mundiais e pede proteção do povo autóctone

Txai Surui tem 24 anos e é do estado de Rondônia, região norte do Brasil. Fundadora do Movimento da Juventude Indígena, a estudante de Direito foi um dos destaques da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP26.

A ativista indígena brasileira disse que os líderes globais “fecharam os olhos” para a mudança climática como uma das primeiras pessoas a discursar nesta segunda-feira, na cúpula que acontece em Glasgow, na Escócia. Ela falou antes mesmo do secretário-geral das Nações Unidos, António Guterres.

Txai Surui fez um apelo por ação climática agora e não em 2030 nem 2050. Após o discurso, ela concedeu uma entrevista à enviada especial da ONU News em Glasgow, Laura Quinones.

Pai Txai Surui é perseguido pelo governo Bolsonaro e mãe ameaçada de morte

Txai Surui é filha de Almir Suruí (47 anos), uma das lideranças indígenas mais conhecidas do país e severo crítico do Governo Bolsonaro (sem partido).

Por causa dessas críticas, foi perseguido. No final de 2020, o presidente da Funai, Marcelo Xavier, pediu à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar “crime de difamação” que teria sido cometido por duas associações ligadas a seu pai.

O motivo foram críticas à atuação do órgão indigenista federal no combate à Covid-19. O caso, revelado pelo UOL, acabou arquivado em maio.

A pandemia, aliás, foi especialmente dura para Txai. Ela perdeu as duas avós para a doença, além de primos e tios.

A mãe de Almir, Weitãg Suruí, falecida em janeiro, era um dos poucos paiter-suruís vivos nascidos antes do contato, ocorrido em 1969. Nos anos seguintes, doenças trazidas pelos brancos, principalmente o sarampo, quase dizimaram o povo, que habita a divisa entre Rondônia e Mato Grosso.

Outro momento difícil para a família foi em maio. A mãe da jovem, a indigenista Ivaneide Cardozo, 62, passou a receber ligações com ameaças de morte por conta de denúncias contra invasores da Terra Indígena (TI) Uru-Eu-Wau-Wau. Dois deles estiveram na sede da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, fundada e liderada por ela.

Na avaliação de uma organização dedicada a proteger a vida de lideranças na Amazônia, a sua vida corria sério risco. A contragosto, Neidinha, como é mais conhecida, se viu obrigada a deixar Rondônia, exílio que durou dois meses.

As invasões à TI Uru-Eu-Wau-Wau começaram em janeiro de 2019, em meio a promessas de Bolsonaro de reduzir terras indígenas. Nesse contexto de conflito, Ari Uru-Eu-Wau-Wau, 33, que atuava como guardião do território, acabou assassinado com golpes na cabeça, em 18 de abril de 2020. O caso até agora não foi solucionado pela Polícia Civil.

*Com informações da ONU News e de Fabiano Maisonnave, do Yahoo Notícias.

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