Antonio Guterres pede investigação independente sobre morte de iraniana de 22 anos

Manifestantes se reúnem em Estocolmo, na Suécia, após a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia moral do Irã.
Manifestantes se reúnem em Estocolmo, na Suécia, após a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia moral do Irã.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ao presidente do Irã, Ebrahim Raisi que não permita o uso de “força desproporcional” contra manifestantes que saíram às ruas em protesto à morte de uma jovem, de 22 anos, que estava sob custódia da polícia da moral.

Mahsa Amini estava visitando Teerã, capital do país, quando foi abordada pela polícia por não “estar usando corretamente o hjab”, o véu obrigatório para as mulheres. Sob custódia, ela desmaiou, entrou em coma, e morreu três dias depois.

Família nega versão do Estado

Segundo agências de notícias, ela teria morrido do coração, mas a família alega que Mahsa foi espancada.

Em Nova Iorque, o líder das Nações Unidas, António Guterres, pediu uma investigação independentes da morte da jovem. O secretário-geral se reuniu com o presidente iraniano durante os debates da Assembleia Geral. Ele enfatizou ao presidente Raisi “a necessidade de respeitar os direitos humanos, incluindo a liberdade de expressão, reunião pacífica e associação.”

Mulheres e crianças entre os manifestantes mortos por forças policiais

Uma das maiores preocupações é com relatos de um número crescente de mortes, incluindo mulheres e crianças, relacionadas aos protestos. Em nota, o líder da ONU “pede às forças de segurança que se abstenham de usar força desnecessária ou desproporcional e apela a todos para que exerçam a máxima contenção para evitar uma maior escalada”. Dezenas de pessoas morreram e centenas foram presas desde o início dos protestos há 12 dias.

Guterres pediu uma investigação rápida, imparcial e eficaz sobre a morte de Mahsa Amini.

Em nota separada, especialistas de direitos humanos solicitam ao Irã que suspenda, de imediato, a sentença de execução de duas mulheres condenadas à morte pelo apoio aos direitos de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans, conhecidas por Lgbt.

Libertação

Zahra Sedighi-Hamadani e Elham Choubdar foram julgadas em agosto. Em 1º de setembro, foram notificadas da condenação à morte pelo Tribunal da Revolução Islâmica de Urumieh por acusações de “corrupção na terra” e “tráfico”. A cidade é a capital da província do Azerbaijão Ocidental.

O grupo de peritos condena com veemência o veredicto e pede a suspensão e anulação seja feita o mais rápido possível. Para eles, as autoridades devem garantir a saúde e o bem-estar das envolvidas e liberá-las prontamente da detenção.

O sistema legal do Irã proíbe explicitamente a homossexualidade e as relações entre pessoas do mesmo sexo estão sujeitas à pena de morte de acordo com o código penal do país.

Direitos humanos e identidade de gênero

A decisão judicial e a ordem de condenação não são públicas. Apesar disso, os especialistas disseram ter sido informados de que as acusações diziam respeito a discursos e ações em apoio aos direitos humanos dos Lgbt que “enfrentam discriminação no Irã com base em sua orientação sexual e identidade de gênero”.

O grupo de especialistas disse ter recebido relatos de acusações de tráfico contra as mulheres relacionadas aos esforços para ajudar pessoas em risco a deixar o território iraniano.

A preocupação em relação ao Governo do Irã é de que as duas mulheres possam ter sido detidas arbitrariamente, maltratadas e processadas com base na discriminação de orientação sexual ou identidade.

*Com informações da ONU News.


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