Conviver com os verbos: invejar, trair e puxar | Por Carlos Lima

Outro dia conversava com um casal e no meio da conversa, Katia comentou sobre uma reação de inveja que presenciou. Fiquei curioso sobre o fato e perguntei como ocorrera. Sem citar nomes, ela disse que ao lado de uma amiga, no shopping Iguatemi, encontrou outra amiga fazendo compras e distribuindo alegria e disse: “Quando nos viu, veio em nossa direção toda sorridente e nos convidou para o seu casamento. Fiquei alegre dei-lhe um abraço e desejei felicidades. Minha amiga ao cumprimentá-la desencorajou dizendo que casamento nos tempos atuais é uma coisa difícil e que a maioria não dura mais de três anos”.

Essa mulher, em outras ocasiões, tinha confidenciado a Kátia o seu sonho de casar e ter um casal de filhos. A reação diante da notícia de que uma amiga, um pouco mais velha do que ela estava de casamento marcado, teria provocado essa reação de ciúme, indelicadeza e de um sentimento de inveja tão poderoso que a tornou agressiva, não teve o menor controle emocional à notícia de um casamento que não era o seu.
Certa feita pesquisando sobre esse tema, para aprender lidar com algumas pessoas da minha profissão que tem uma forte tendência para a inveja e puxa-saquismo, encontrei um comentário, de especialista, que dizia o seguinte: “O invejoso não é uma pessoa má por natureza, pode se tornar. Como também não perde o sono por causa da beleza, da felicidade, competência ou do sucesso alheios por falta de caráter, e sim por falha de caráter”. O que segundo o especialista, é bem diferente.

Nós encontramos a inveja em todos os setores da sociedade e nas melhores e as mais famosas famílias, porque ninguém está imune. Mesmo porque, o perigo não é sentir inveja e sim o que você vai fazer com ela. O sentimento de inveja que fica só no sentimento e não agride o invejado, pode até servir de incentivo para uma superação de si mesmo. O perigo é quando o invejoso assume a posição de inimigo, declara guerra e o outro só sabe quando descobre o seu “César Borges”, que o diga Paulo Souto.

A política baiana, principalmente a feirense, está cheia, não só de invejosos, como também de puxa-sacos e oportunistas. Acordos são feitos e desfeitos com a maior cara de pau. Compromissos políticos são assumidos e esquecidos como se vergonha e caráter fosse uma cueca suja que pode ser trocada no final da tarde. A campanha eleitoral de 2008 bem não começou e já sofri duas grandes decepções. A fortaleza que construí em torno de uma posição política foi praticamente destruída na sua confiança. A traição é praticada por aqueles que se dizem amigos e continuam como se nada tivesse ocorrido.

Meu amigo Sérgio Jones, jornalista competente, que no meio político é considerado um crítico contumaz. Eu não diria isso. Sérgio Jones gosta da verdade e a expõe nua e crua. Incomoda, não é? Lembrei-me de você Sergio porque tinhas me prevenido e nunca identifiquei esses sentimentos em você. Confundir causa com conseqüência não é tão comum como se deseja a maioria dos políticos. Imputar culpas e inocentar culpados é uma prática considerada normal, quando defende interesses pessoais e de grupos. Eu nunca perco tempo, das alegrias, sucessos, fracassos e decepções, procuro transforma-las em poderosa inspiração para mergulhar fundo em novas conquistas. A vida é feita de pequenas etapas, umas após as outras.

*Por Carlos Antonio de Lima, brasileiro, natural de Caruaru, Estado de Pernambuco, nasceu no dia 22 de dezembro de 1951. Jornalista e radialista. Atualmente Tesoureiro da Academia Feirense de Letras, membro do MCC – Movimento do Cursilho de Cristandade da Arquidiocese de Feira de Santana, âncora do programa jornalístico Jornal da Povo, da Rádio Povo, emissora que pertence ao Sistema Pazzi de Comunicação e chefe de Redação e Divulgação da Secretaria Municipal de Comunicação Social.


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