Cristovam diz que a fidelidade deve ser a princípios e não a partidos

O senador Cristovam Buarque (PDT) afirmou em Plenário nesta sexta-feira (05/05/2016) que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar que o mandato pertence ao partido, e não ao parlamentar, não resolve os problemas políticos do país. Para Cristovam, a fidelidade deve ser manifestada em relação aos princípios do partido, e não somente à sigla.

Para o senador, a fidelidade deveria estar presente, de forma natural, no comportamento dos políticos para que não houvesse necessidade de manifestações como a do STF. Cristovam destacou que tanto os políticos como os partidos devem ser fiéis aos compromissos assumidos com os eleitores.

– Isso deveria ser algo tão entranhado dentro de cada político que não deveria ser necessário que o Supremo Tribunal se intrometesse nesse assunto. Lamentavelmente, fidelidade não é um valor entranhado na ação dos políticos. Se discute fidelidade à sigla, não se discute fidelidade a compromissos, à coerência, a princípios – disse o senador.

O senador lembrou que alguns políticos se afastaram de seus partidos para continuarem fiéis a princípios que consideram fundamentais. Como exemplo, citou o seu próprio afastamento e o da ex-senadora Heloísa Helena do PT, por discordarem da atuação do partido.

– Quem é mais infiel? Quem saiu, por exemplo, do PT, como eu, por discordar do encaminhamento das coisas ou quem ficou e aceitou a mudança de princípios? Mudei de partido para continuar fiel aos princípios, mudei de partido para ser coerente – afirmou.

CCJ

Ao final da sessão, o senador Cristovam voltou a falar para transmitir um apelo do senador Heráclito Fortes (DEM-PI) que, por ter que se afastar do Senado durante a sessão, pediu para que Cristovam transmitisse pedido ao líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), bem como ao ex-presidente da República senador José Sarney (PMDB-AP), para que revejam a decisão do partido de destituir os senadores do PMDB Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) da composição da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Cristovam lembrou que quando deixou o PT, foi afastado de vaga que ocupava na Comissão de Educação (CE), o que considerou pertinente, uma vez que a vaga naquela comissão pertencia ao partido. Contou ainda que na ocasião, o DEM, então PFL, cedeu uma das vaga a que tinha direito na CE para que pudesse permanecer no colegiado. Da mesma forma, sugeriu que agora algum partido com assento na CCJ indique Simon e Jarbas Vasconcelos para a comissão – atitude que vai, inclusive, defender junto ao seu partido, o PDT, segundo informou, já que a sigla está com a suplência vaga na CCJ.


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