Éramos Felizes e Não Sabíamos!!! | Por Alberto Peixoto

Em meu último trabalho para esta coluna – Nos Tempos dos Bregas – fiz uma viagem ao passado e visitei os diversos pontos da belíssima Princesa do Sertão. Nessa minha viagem imaginária, matei a saudade de velhos amigos, antigos costumes e por fim, a zona, mais especificamente, o minadouro.

Graças a esse artigo, uma de minhas leitoras – Maria das Graças Ferreira Santos – residente em Salvador, passou-me um E-mail, dando-me os parabéns pelo meu trabalho, falando-me da sua saudade pela Feira de Santana do passado e relatando-me as suas reminiscências.

E disse a minha amiga Gracinha

“Estive em Feira de Santana há uns dias atrás e fiquei um tempinho na janela da antiga casa dos meus pais, situada na antiga rua da Misericórdia, ao lado da Praça Padre Ovídio, onde fui criada com meus irmãos, observando a rua. Bateu uma saudade danada dos tempos em que eu era criança e uma decepção invadiu todo o meu ser.

Vendo aquela rua em que brincávamos de circo, com as crianças da vizinhança, colocando uma corda entre as árvores – elas tinham umas frutinhas miúdas que não me lembro o nome. Então vieram os lacerdinhas – pequenos insetos pretos – e tiveram de ser cortadas. Havia candeeiros, com luzes incandescentes, que pouco iluminavam as ruas, mas eram muito bonitos. Em frente a minha casa havia um quartel da PM, que me fazia acordar, ouvindo aquele toque militar – toque da alvorada. Brincávamos de patinete, feita em casa, pois não tínhamos condições de comprar uma no comércio.

Inventávamos diversos tipos de brincadeiras como os baleados de ruas, as brigas de bairros, ou melhor falando, as brigas com o pessoal do Beco de “Jão Pires” ou de dona “Lia”, também conhecido como Beco do Foguete.

A guerra de Mamonas, que não deixava um pé de mamona com seus frutos, os concursos de Miss, onde sempre quem ganhava era Eliana Pires (proteção: Era filha do poderoso Jão Pires). Havia, também, jardins que para a época, eram bem conservados, com bancos, que agora me recordo, muito bonitos. Fazia gosto dormir mais tarde e brincar, só até às 22:00hs, pois meu pai dava marcação. No outro dia, tínhamos que freqüentar a escola.

Ah!!! As festas de Santana… Eu adorava freqüentar os parques de diversões armados, ao lado da Igreja Matriz, onde meus irmãos – principalmente o Carlinhos – faziam amizade com os filhos e donos dos brinquedos, só para entrarmos de graça, por motivos óbvios. A vida já era difícil.

O que me deixou intrigada – nesses últimos dias que por lá passei – foi, quando, do alto da janela da antiga casa dos meus pais, me vejo deparada diante de uma “MALOCA OU FAVELA” armada no canteiro central da antiga pracinha, onde, no passado, foi palco da minha infância e a de meus amigos, de onde víamos o por do sol, do outro lado da rua, todas as tardes. Até o nome da pracinha, que antes era chamada de rua da Misericórdia, foi mudada para Praça Carlos Bahia. Esta mudança foi trágica e triste.

O quartel transformou-se em um pardieiro, se é que assim pode ser chamado, porque sua situação atual é bem pior. Dizem que é um abrigo para menores.

Espero que os poderes públicos procurem conservar mais a memória da cidade, pois todas as vezes que vou à Feira de Santana, fico triste em ver o impacto destas transformações“ .

Infelizmente, amiga Gracinha, devo lhe dizer que não tenho mais esperanças de que um dia, Feira de Santana volte a ser uma cidade mais humana. Talvez… uma nova administração possa nos trazer, de volta, este “sonho”.


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