Jobim diz que reaparelhamento militar é necessário e descarta corrida armamentista

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje (31/11/2007), em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e da Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, que a modernização dos equipamentos militares é uma necessidade nacional e que é preciso vontade política para ser implementada. Ele descartou que o interesse de renovar o arsenal brasileiro seja resposta aos investimentos de outros países sulamericanos.

Durante mais de três horas de depoimento, Jobim cobrou a reflexão dos parlamentares sobre a necessidade de se modernizar o sistema de defesa nacional. “Precisamos saber se estamos interessados efetivamente em termos uma estrutura e um plano estratégico de defesa ou se só estamos comprometidos com retórica”, ponderou.

O ministro reforçou a necessidade de aumentar a segurança nas fronteiras, em especial na região Amazônica. “O cumprimento da tarefa de defesa nacional brasileira não é expansionista em questões territoriais, mas sim para conservação de seu território. Nas fronteiras amazônicas é preciso tratamento diferenciado. Está é a razão pela qual percorri essas áreas”.

Jobim citou a derrota da Argentina na Guerra das Malvinas (1982) contra a Inglaterra como exemplo dos riscos da não-substituição de equipamentos sucateados. “Quando houve o conflito, os mísseis usados pela Argentina não funcionaram. Apenas um explodiu porque acertou no corpo das máquinas de um navio”, explicou o ministro que considerou obsoletas as armas usadas pelo país vizinho.

A previsão de gastos militares para 2008 vai ser acrescida em pelo menos 50%, com relação à proposta inicial do Ministério do Planejamento. Jobim informou que “os investimentos devem subir, por determinação do presidente da República, de R$ 6 bilhões para R$ 9 bilhões”. Segundo o ministro ainda existe a possibilidade de aplicação de mais R$ 1 bilhão em verbas suplementares.

O aumento dos gastos militares não é resposta nem foi motivado pelos recentes investimentos em armas feitos pela Venezuela, assegurou o ministro. “Nós não entramos em corrida armamentista”, garantiu Jobim, que prometeu visitar todas as capitais sulamericanas no ano que vem, a pedido do presidente Lula.

Outro assunto abordado foi a renda dos militares. Jobim reconheceu a necessidade de reajustar o valor das remunerações, mas lembrou que a questão é delicada porque existem muitos militares inativos e pensionistas.


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