Religiões afro-brasileiras continuam discriminadas, afirma historiador

No dia (02/02/2008) , data em que milhares de devotos celebram Iemanjá, o historiador Cristiano Freitas de Oliveira afirma que a discriminação a religiões de origem africana persiste no país.

Embora atraiam milhares de pessoas de diferentes credos, festas como estas, conforme avalia o historiador, não significam que a umbanda e o candomblé são aceitos sem restrição.

“O preconceito ainda existe porque as religiões africanas obedecem a outra lógica que não é a ocidental. Aqui existem muitos embates, até porque Salvador é considerada uma Roma negra”, afirmação feita devido a presença marcante da cultura e da religiosidade africanas na capital da Bahia.

Para Oliveira, adepto do candomblé, a popularização de celebrações como as de datas como estas ocorre mais em razão das festividades e não comprova o fim do preconceito.

“Há uma aceitação maior à festa de Iemanjá porque não é só uma festa religiosa”, opina. “Ela é também profana. As pessoas vão também para beber e comer, mesmo que elas não tenham consciência de que isso também é uma herança africana. Todo rito da África e do candomblé é festivo. Até os ritos fúnebres são festivos.”

Explica o historiador qie Iemanjá representa um símbolo do mar e é considerada um orixá importante por ser a mãe de várias outras entidades espirituais. Nesta data, oferendas de diversos tipos são levadas às águas em agradecimento e reverência ao ser a quem se credita o domínio dos rios e mares e do oceano.

Apesar da permanência de marcas discriminatórias, Oliveira avalia que hoje as manifestações religiosas ganharam mais espaço na sociedade brasileira.

“O debate hoje sobre religiões de matrizes africanas é muito mais aberto. Há 20 anos, minha mãe não poderia usar uma conta ou uma guia de seu orixá no pescoço com tanta liberdade como eu faço hoje. O olhar era muito mais enviesado. Mas ainda há muito o que se fazer”, conclui.


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