Quase 37 anos após a revelação do escândalo político de Watergate, que forçou a renúncia do presidente americano Richard Nixon e fez com que dois repórteres do Washington Post se tornassem heróis, dois ex-jornalistas do New York Times dizem ter tido a história quase em seu alcance antes do Washington Post, mas deixaram-na escapar, informa o próprio New York Times. (Leia artigos relacionados em português aqui.)
O ex-repórter do New York Times Robert F. Smith disse que soube do assalto em 1972 durante um almoço com o então diretor do FBI, L. Patrick Gray, dois meses depois do acontecimento. Smith disse que repetiu a história para Robert H. Phelps, editor do escritório em Washington do jornal nova-iorquino, que gravou a conversa e fez anotações.
Mas Smith teve que desistir da reportagem pois estava desligando-se do Times para estudar direito na Universidade de Yale. De acordo com o repórter do Times Richard Pérez-Peña, Smith não falou sobre o que aconteceu por mais de três décadas mas decidiu tornar os fatos públicos quando soube que Phelps, hoje com 89 anos, planejava incluí-los em seu livro de memórias publicado recentemente, God and the Editor: My Search for Meaning at the New York Times (“Deus e o editor: minha busca por significado no New York Times”, em tradução livre).
O que aconteceu com as anotações e a gravação? “Não tenho a menor idéia”, diz Phelps em suas memórias. Antigos colegas afirmam nunca ter sabido sobre o material, e Phelps deixou o New York Times para trabalhar no Boston Globe em meados dos anos 70.
Segundo Pérez-Peña, se a versão de Smith e Phelps estiver correta, “o Times perdeu a oportunidade de contar a melhor história de toda uma geração”.








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