Pedágios: custo sem benefício?

Se o pagamento de pedágios – no mundo inteiro – é o preço que se paga por trafegar em estradas melhores, mais seguras, com percursos encurtados e duplicidade de mãos, como se explica a situação de rodovias como a BR 101 e RJ 116 em que os fluminenses pagam pedágios em nome de melhoramentos futuros que não chegam nunca?

Comprovei pessoalmente, semana passada, queixa de amigos – documentada em reportagens do Diário de Petrópolis – sobre a forma desleixada como são prorrogados os prazos para execução de obras previstas nos contratos de concessão (agora, imaginem temos que esperar por 2017!) enquanto os pedágios não apenas continuam sendo cobrados, mas até reajustados! Experimentei engarrafamentos e o estado crítico da pavimentação m muitos trechos. Na Rio-Manilha, um acidente com uma carreta, provocou um engarrafamento de 8km, com o transito fluindo lentamente em meia pista no sentido Niterói das 11 da manhã até o começo da noite.

Ora, não era essa a expectativa criada pelos editais de concorrência do Programa de Concessões de Rodovias que, nos anos 90, prometiam uma relação tentadora e justa para todo mundo – para as empresas que iriam explorá-las e, principalmente, para os usuários, que teriam a garantia de estradas de qualidade, no mínimo proporcional ao preço dos pedágios. A duplicação de vias – uma para veículos de cargas, outra para automóveis – nunca aconteceu, embora conste dos contratos.

Na verdade, lamento constatar que a malha rodoviária do Estado do Rio tornou-se um dos mais sérios entraves não apenas para o desenvolvimento econômico, mas um problema para o necessário ir e vir cotidianos dos cidadãos.

O Governo Federal nos bombardeia com propaganda do PAC, anuncia uma festiva lua de mel com o Governador, mas, obras essenciais que é bom, nada. Repetem-se inaugurações de “inicio de obras” no Complexo do Alemão – onde nada muda – e a angustiante questão das estradas não recebem a menor atenção. Nem mesmo a liberação de verbas que estão no orçamento.

Obras essenciais como o Arco Rodoviário (que dispensaria o envolvimento no carregado transito metropolitano do Rio Capital a quem tem outros destinos) não saem do papel, nem os acidentes da Rio-Santos (comprometendo a indústria do turismo de Angra e Paraty) nem os engarrafamentos na Rio-Manilha, nem as ligações com Petrópolis, Teresópolis e Friburgo. Se é assim no geral, que dizer de promessas que se renovam há 20 anos para o problema da ligação Bingen-Quitandinha que angustia os petropolitanos?

Enquanto isso, os consórcios rodoviários engordam seus lucros com a cobrança de pedágio e os fluminenses assistem o Estado de São Paulo, em sentido contrário, a reduzir o preço dos pedágios e ampliar as exigências de contrapartidas aos concessionários de novas rodovias em licitação.

É absolutamente inaceitável que se instalem postos de cobrança de pedágio antes que os melhoramentos serviços licitados estejam efetivamente executados. Como está, o povo paga, compulsoriamente, por uma mercadoria que não recebe.


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