Exemplo de superação e amor ao fisiculturismo

Exemplo de superação e amor ao fisiculturismo.
Exemplo de superação e amor ao fisiculturismo.

Há dois anos, a fisiculturista Jamila Barreto Boaventura vem superando desafios e angariando títulos. A atleta que é natural de Serrinha, mas residente em Feira de Santana é a atual campeã baiana de sua categoria, a Bory Fitness. No ano passado ela ficou em terceiro lugar no campeonato nacional. Aos 27 anos, a atleta almeja conquistas ainda maiores.

Ela revela que algumas dificuldades vêm sendo superadas, como a falta de patrocínio e o preconceito que sofre as mulheres que praticam este esporte. E salienta que a força de vontade e o amor ao fisiculturismo se sobresai a todos os obstáculos. Jamila é formada em Educação Física e atualmente faz pós-graduação em Saúde Pública na Fan. Confira abaixo a entrevista exclusiva concedida pela atleta ao jornal TRIBUNA FEIRENSE:

TRIBUNA FEIRENSE: Há quanto tempo você é adepta deste esporte e como surgiu o interesse?

JAMILA BARRETO: Eu tenho dois anos nesse esporte. O interesse surgiu a partir do momento que eu entrei na faculdade de Educação Física, e comecei a ter interesse pela área de fisiologia e anatomia humana. Tinha um colega de turma que também já havia competido e a gente começou a conversar, trocar idéias e eu comecei a me identificar com o esporte. A partir daí eu comecei a treinar já focando realmente o esporte para competição.

TF: Quais as principais conquistas nesse período?

JB: No meu primeiro campeonato, em 2008, eu fui campeã baiana. Tirei o sexto lugar no Campeonato Brasileiro do ano passado, e a partir desse resultado eu vi que eu tinha condições de galgar um patamar maior. Foi a partir daí que eu ralei muito e conquistei o terceiro lugar no Brasileiro de 2009.

TF: Como é a preparação para este esporte?

JB: A preparação é um trabalho árduo. É muito difícil. A gente tem que ter muita disciplina e realmente abdicar de muitas coisas, até mesmo a nossa vida social. O atleta não pode perder noite, tem que focar realmente naquilo que ele quer. E a partir daí a gente começa a preparação. Com alimentação muito restrita. Treinamento intenso, todos os dias, de domingo a domingo, além da parte de suplementação, que é muito intensa e muito cara.

A gente não tem apoio nenhum, e sabemos que no Brasil primeiro temos que conquistar nosso lugar ao sol para depois vir a colher os frutos de resultados, notoriedade, visibilidade, mídia e partir daí surgir os colaboradores, os parceiros e apoios. Até então eu ainda não consegui.

TF: Qual a realidade do fisiculturismo na Bahia?

JB: Na Bahia nós temos muitos atletas bons, mas infelizmente a maioria não tem apoio. O fisiculturismo é um esporte muito caro e a gente requer mais parcerias. Temos muitos atletas bons, excelentes, com condições de competir a nível mundial, mas a gente não tem ainda esse apoio que a gente precisa.

TF: Como a mulher é vista dentro deste esporte?

JB: A mulher sofre um preconceito muito grande. Até porque a gente tem aquela questão estética da feminilidade, da sensualidade. No Brasil a mulher tem que ter ‘pernão’, ‘bundão’, mas tem que ser feminina. E quando a gente fala em fisiculturismo já se associa a uma mulher masculina, homossexual, e já se cria aquele estigma até em cima da opção sexual da mulher. É um esporte que realmente é para quem gosta, para quem é apaixonada, louca, como eu.

Eu lembro que a primeira vez que eu vi uma mulher malhada, musculosa, eu tinha quinze anos de idade. E eu disse para mim mesma que queria ser igual a ela. Mas isso passou, era sonho. Mas quando eu comecei a faculdade de Educação Física, resolvi dar andamento a esse sonho.

TF: Qual a principal dificuldade em exercer esta modalidade esportiva?

JB: É justamente a falta de apoio. Há um ano eu venho tentando ter parcerias. Com empresas de suplementos, lojas, porque não é somente a ára de treinamentos, alimentação e suplementação. A categoria que eu participo é a Bory Fitness. É como se fosse uma mulher modelo do fisiculturismo. Então tem uma parte de estética que conta bastante. A beleza, a estética e o físico. Então na verdade é um conjunto.

Nesse último campeonato eu observei alguns critérios. Por exemplo, devido ao meu treinamento e a minha dieta eu perdi um pouco da minha mama. Eu fiquei quase sem peito. Então eu estou precisando colocar uma prótese de silicone. E eu estou buscando parceiros para que eu possa vir a colocar essa prótese. Assim como a questão do cabelo, que tem que estar bonito, tratado, bem cuidado.

Então o que eu puder correr atrás para melhorar e conquistar os títulos, assim eu vou fazer. Então eu faço um apelo às empresas e indústrias que venha a pensar em uma parceria, para que a gente possa estar usando as marcas, vestindo camisetas, buscando estar na mídia para trazer um retorno a esses parceiros.

 


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