Paulo Souto diz que sentimento majoritário de frustração da população com o atual gestão motiva a disputar cargo de governador

Paulo Souto: Todo este processo de construção do Metrô tem sido acidentado, houve momento em que faltou recursos o que atrasou a sua implantação. Aí surgem alguns problemas relacionados ao contrato que não conheço e não desejo opinar sobre isso.
Paulo Souto: Todo este processo de construção do Metrô tem sido acidentado, houve momento em que faltou recursos o que atrasou a sua implantação. Aí surgem alguns problemas relacionados ao contrato que não conheço e não desejo opinar sobre isso.
Paulo Souto: Infelizmente os partidos políticos no Brasil não têm identidades que se refletem na gestão e acabam fazendo alianças esdrúxulas e temos sentido isso no governo da Bahia.
Paulo Souto: Infelizmente os partidos políticos no Brasil não têm identidades que se refletem na gestão e acabam fazendo alianças esdrúxulas e temos sentido isso no governo da Bahia.

Na terceira e última parte da entrevista concedida ao Jornal Grande Bahia, ocorrida na terça-feira (25/08/2009), na sede estadual do Democratas em Salvador, o ex-governador e pré-candidato ao governo do Estado nas eleições de 2010 Paulo Ganem Souto aborda os seguintes temas: defecções políticas ocorridas Democratas, obra do metrô e participação da Bahia na copa de 2014.

Confira a entrevista

JGB – A deputada Eliana Boaventura rompeu a ligação que mantinha com o DEM e ingressa na base de apoio do Estado. O que o senhor tem a dizer sobre a tomada de posição de sua ex-aliada?

Paulo Souto – Não quero fazer nenhuma análise do ponto de vista ideológico. Há muito tempo que ela estava vinculada ao grupo, mas neste momento resolveu mudar. Esqueceu a parte mais recente da história política, mas este é um problema  da deputada. Entendo que ela tem toda a liberdade a tomar o rumo que quiser, afinal há uma cultura política em nosso país de adesão. Eu desejo que ela seja feliz na sua nova investida política.

JGB – A deputada vem tentando cooptar diversas lideranças do DEM oferecendo cargos no governo da Bahia. O senhor na qualidade de presidente do partido, como avalia esta postura adotada por ela?

Paulo Souto – Infelizmente esta é uma cultura que esta sendo estimulada pelo governo do Estado. Vou citar como exemplo caso ocorrido recentemente, a substituição de três secretários em que durante 15 dias houve uma grande discussão para saber qual eram os partidos que vão reivindicar as secretarias. Ao longo de todo este tempo, não houve uma discussão mínima e nem a preocupação de se buscar quadros para ocupar as novas funções. Não houve adequação dos currículos dos candidatos para ocupar as pastas. O que se percebeu é que o governo estava preocupado em satisfazer uma ala do PP, PR e outros partidos. O mais preocupante é que recentemente foi feita uma reforma e outra já está marcada para o final de março e início de abril, quando nove secretários vão se desincompatibilizar de seus respectivos cargos para se candidatarem. A pergunta é: há alguma gestão que suporte isso? Não é possível se governar desta forma, eles não estão pensando na educação, na segurança pública, na saúde, etc. Só estão pensando em 2010, as demandas do povo ninguém do governo está pensando nisso.

JGB – A deputada com este jogo político vai fazer oposição ao seu grupo em 2010. Como o senhor avalia esta defecção, o Democratas estão sendo esvaziado por uma falta de discurso que contemple os despossuídos socialmente ou as pessoas estão mudando porque a única forma que conhece de fazer política é através do fisiologismo e clientelismo?

Paulo Souto – Eu não quero fazer observações de natureza pessoal, mas esta evidente que não há nada de ideológico, eles estão apenas se associando ao governo para buscarem este tipo de apoio. Não estou falando isso por qualquer tipo de mágua, sempre tive um bom relacionamento pessoal com o deputado Jairo Carneiro, mas só posso analisar dessa forma, essas mudanças.

JGB – O seu partido está pedindo a cassação do mandato de Jairo Carneiro por prática de infidelidade partidária, ou não?

Paulo Souto – O pedido de desfiliação dele foi encaminhado, como não poderia deixar de ser, à executiva nacional que está apreciando a questão e vai deliberar sobre isso.

JGB – Não é obrigação dos partidos defenderem a identidade ideológica de seus membros e quando estes trocam, com um mandato em mãos, de um partido para outro, eles não estão praticando estelionato eleitoral, já que os políticos foram eleitos para defender um conceito ideológico?

Paulo Souto – O partido deve sobretudo cumprir a lei e defender os seus interesses. Acredito  que o Democratas vai fazer isso, caracterizado que  estar o problema típico de infidelidade partidária.

JGB – A obra do Metrô foi iniciada na gestão de Antonio Imbassahy quando prefeito. Obra que poderia ser feita em um ano, se arrasta por uma década. Existe ato de corrupção na implantação do Metrô?

Paulo Souto – Todo este processo de construção do Metrô tem sido acidentado, houve momento em que faltou recursos o que atrasou a sua implantação. Aí surgem alguns problemas relacionados ao contrato que não conheço e não desejo opinar sobre isso. Mas considero como o maior de todos os problemas a tomada de decisão de encurtar um Metrô com 12 para seis quilômetros. Não sei qual a viabilidade econômica em uma cidade com mais de três milhões de habitantes o governo federal não poderia nunca ter permitido esta redução, deveria ter proporcionado os meios para continuar a obra pelo menos na sua integralidade inicial que era de 12 quilômetros, o que está acontecendo é desperdício de dinheiro público, principalmente quando se leva 10 anos para construir uma obra, você está investindo e a  sociedade não está recebendo nenhum tipo de benefício de volta. Como considero desperdício o fato da paralisação das obras do Centro de Convenções de Feira de Santana.

JGB – A Copa do Mundo se aproxima, mais os investimentos em infraestrutura não acontecem. A Bahia corre o risco de ficar fora dos jogos?

Paulo Souto – Acredito que não, os governos do Estado e Federal não vão nos permitir esta decepção.

JGB – Falando como cidadão, o governo não consegue em 10 anos construir um Metrô. Em tão curto espaço de tempo conseguirá construir as obras necessárias que um evento desse porte exige?

Paulo Souto – As circunstâncias neste caso são diferentes, não acontecer os jogos da Copa na Bahia, repito, será uma decepção.

JGB – No início do governo Wagner parte da arquibancada do Estádio da Fonte Nova desabou fazendo várias vítimas, oito delas fatais. O senhor se ente responsável por esta tragédia?

Paulo Souto – Não me sinto responsável, alguns desses problemas já haviam sido detectados nas últimas partidas de futebol realizadas no Estádio da Fonte Nova. Nesse período, nós tivemos a precaução e chegamos até interditar uma determinada área para não ser utilizada, passamos o relatório para a equipe de transição. Eu posso dizer uma coisa, poucos dias antes da tragédia o governador do Estado concedeu uma entrevista dizendo que tinha feito investimento que permitiria imediatamente que a Fonte Nova, que estava recebendo 20 mil pessoas, pudesse receber 50 mil. O que eu acho foi que faltou capacidade de avaliação de um risco iminente JGB – O senhor pretende trocar de partido, deixar o DEM e ingressar no PSDB?

Paulo Souto – Essa história surgiu quando deixamos claro que estávamos engajados em um projeto nacional em que o DEM fez uma aliança nacional para apoiar o candidato tucanos à presidência da república. O que nós dissemos é que queríamos reproduzir essa aliança na Bahia.

JGB – Em seu discurso feito na Assembleia Legislativa da Bahia, o  senhor falou da importância   da implantação  do TOPA, pelo atual governo, devido aos elevados índices de analfabetismo da população. O senhor fracassou nesta questão?

Paulo Souto – Não, O TOPA é um programa importante e similar ao Mobral e ao modelo do AJA, este implantado no meu governo para a alfabetização de jovens e adultos. A questão do analfabetismo entre a faixa etária de jovens entre 10 e 14 anos, os índices são baixos, o quer demonstra que as políticas neste sentido avançaram muito na sua redução. Reconheço, entretanto, que a educação ainda não tem a qualidade desejada.

JGB – A sua ex-secretária de Educação Anaci Paim está sendo processada criminalmente por erros que cometeu. Como o senhor avalia o trabalho dela?

Paulo Souto – Eu acho que ela fez um bom trabalho e que tem direito de defesa, direito este que ela está exercendo. Na minha concepção são direitos formais e que não traz nenhuma mácula a sua administração.

JGB – O seu governo deixou de pagar aos fornecedores da EBAL, o que aconteceu?

Paulo Souto – Tivemos realmente problemas  na administração da EBAL, nada tão dramático.

JGB – Como o senhor avalia o desligamento do senador César Borges do Democratas?

Paulo Souto – Ele deixou claro que iria procurar um espaço político maior e que seria bom  para ele estar em outro partido.

JGB – O senhor não achas que está na hora dos partidos políticos retomarem a discussão ideológica?

Paulo Souto – Infelizmente os partidos políticos no Brasil não têm  identidades que se refletem na gestão e acabam fazendo alianças esdrúxulas e temos sentido isso no governo da Bahia.

JGB – O governo Wagner atraiu para a sua base de apoio o PDT e PP. O senhor pretende disputar a eleição de 2010 com o apoio de quem?

Paulo Souto – Temos alianças costuradas com o PSDB que vai ter um candidato forte para disputar a presidência da república. Estamos mantendo entendimentos com o PPS, PR e com outros partidos menores.

JGB – De cada 10 soteropolitanos 6 moram em favelas, faltou política de moradia para o governo do Democratas?

Paulo Souto – Não coloque em mim a culpa disso.  Nós implantamos o programa habitacional Viver Melhor,  todo ele voltado para a recuperação e reestruturação das favelas. O problema habitacional em Salvador é grande, agravado com a falta de organização e planejamento da cidade.

JGB – Rodovias estaduais, durante o governo do Democratas, era de baixa qualidade. Como explica isto?

Paulo Souto – A única resposta que eu posso dar é a seguinte: não fazer nada ou fazer o que é possível.

JGB – A presidência de Sarney no senado não traz uma mancha no processo democrático brasileiro?

Paulo Souto – Essa situação no senado está intolerável e o presidente da república influenciou bastante para que os problemas fossem esquecidos. O sentimento da população é de desaprovação.

JGB – Caso eleito o que o senhor faria diferente do que não fez durante os seus oito anos de mandato?

Paulo Souto – Eu não posso falar como candidato, isso só vai ser possível depois das convenções. O que me levou a aceitar a possibilidade de concorrer ao cargo de governador é o sentimento  majoritário da população do estado  de frustração com o governo atual, o que abriu a possibilidade de uma candidatura de oposição


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