A revitalização da orla de Salvador passa pelo Aeroclube | Por Juarez Duarte Bomfim

Em registro de 2 de setembro de 2002, a vista aérea do Aeroclube Plaza Show, em Salvador.
Em registro de 2 de setembro de 2002, a vista aérea do Aeroclube Plaza Show, em Salvador.

Dizem que pau que nasce torto (lá ele!) morre torto… Assim é ou está sendo o Aeroclube Plaza Show, admirável equipamento de serviços erigido irregularmente na Orla Marítima de Salvador, em área do antigo aeroclube da cidade, entre os bairros da Boca do Rio e Jardim Armação.

Terreno usurpado aos citadinos pela prefeita da ocasião, a comunista ao revés Lídice da Mata, que, numa inversão doutrinária, ao invés de expropriar a propriedade privada para torná-la pública, doou generosamente ao capital imobiliário da cidade um grande bem público de 28 mil metros quadrados que era parte da área do aeroclube da Região Metropolitana de Salvador, desde então transferido para a ilha de Itaparica.

Violando o meio ambiente, os usurpadores do bem coletivo ali edificaram um shopping center de lazer, inaugurado ao final de 1999, de imediato sucesso entre a classe média local, rivalizando e esvaziando o Pelourinho, que deixava de ser moda entre a ignara elite soteropolitana, que dava as costas ao valioso Patrimônio da Humanidade. Elite que na sua pecadora ignorância, não valorizava o precioso bem momumental que tinha logo ali, às mãos.

A cidade segregada, dividida entre os espaços dos ricos e dos pobres, que em Salvador tem conotações de apartheid racial, isto é, a segregação entre brancos-mestiços e negros-mestiços, encontrava no Aeroclube a sua mais bem acabada configuração: de um lado o Aeroclube Plaza Show com seus bares, restaurantes e boates de luxo; do outro, um arremedo de parque público que os incorporadores junto com a Prefeitura criaram na parte norte do terreno, local inóspito, escuro e inseguro que seria a área de lazer dos pobres.

Um imbróglio entre as gestões municipais posteriores e os administradores do Aeroclube levou ao seu esvaziamento, falência de pequenos empreendimentos e grave crise, com o consequente arruinamento da área. Este conflito se estende ao Poder Judiciário que, tardiamente, tenta dignificar a cidade e fazer justiça aos munícipes.

Hoje, patético e precário centro comercial ali funciona, entre escombros. É bizarro e exdrúxulo na Orla mais bonita do mundo, localizada na cidade mais bonita do mundo, a brisa marinha envolver atividades nada lúdicas e de lazer como as funções nada nobres que atualmente aquele elefante branco exerce.

Com a eleição do Rio de Janeiro para sediar as Olímpiadas de 2016, o modelo Barcelona de 1992 tem sido lembrado. Porém, saibam que o Aeroculbe Plaza Show é a anti-Barcelona, o anti-Maremagnum. Maremagnum é o shopping de lazer construido na até então decadente área portuária daquela belíssima cidade mediterrânea.

A revitalização da Orla de Salvador passa pela resolução do caso Aeroclube. Aceitam-se sugestões, desde a sua derrubada à sua transformação em algo verdadeiramente público, um Parque Metropolitano presenteado às “negras lindas do Curuzu e Boca do Rio” (beleza pura…) e a todos os habitantes e visitantes da cidade de Tomé de Souza. Este é o desafio do Poder Público municipal e estadual.


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