O corpo de Marcus Moraes foi liberado pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Feira de Santana, no final da tarde de sábado. Ele foi velado na capela do Hospital Dom Pedro de Alcântara, onde, diversas pessoas, de diferentes matizes e círculos sociais foram dar o último adeus ao amigo.
A urna funerária estava fechada, como se até nisto, Marcus desejasse que as pessoas guardassem dele uma lembrança viva, de alegria e simplicidade. Mas, às 9 horas da manhã de domingo (18/10/2009) o seu corpo faria a última jornada em direção ao cemitério Piedade. Quando o seu esquife desceu à sepultura, os poucos que contiveram as lágrimas se deparam com a dura realidade, de não poder conversar, aprender, sorrir, apreciar a beleza da vida ao lado do grande mestre Moraes.
Uma mesma pergunta perpassa pela cabeça de todos: Como alguém dotado de tamanha beleza interior e exterior foi tão brutalmente assassinado? A verdade é que dentre as espécies do reino animal, só nós, homens, é que agimos desprovidos de qualquer instinto natural. Deixamos que a besta-fera que existe em nós tome conta. Levando-nos a brutalizarmos o nosso semelhante.
+ Sobre o latrocínio
Conforme relatos, marcas de mãos em diversas partes da sala, davam conta da tentativa desesperada, por parte da vítima, Marcus Moraes, de encontrar ajuda. Mas, o seu agressor, depois de desferir golpes na cabeça e no pescoço, retirou-lhe o telefone celular, puxou o fio do telefone fixo. Antes de sair, deixou o ar-condicionado ligado e trancou por fora, com a chave da própria vítima, o apartamento.
Suspeita-se que o latrocida teria tomado banho após o homicídio. Talvez com o intuito de livrar-se de possíveis marcas de sangue, que teria jorrado da vítima em sua direção. O apartamento encontra-se lacrado e equipe de investigadores de Salvador foram destacados para fazer uma detalhada perícia no local do crime. É imprescindível que esta besta fera assassina saia do convívio da nossa sociedade e seja enjaulado definitivamente.
O educador e artista plástico, Marcus Moraes, foi vítima de latrocínio
Informações preliminares dão conta de que Marcus Moraes foi vítima de homicídio, seguido por roubo. Conforme relatos, ele teria sido encontrado seminu, com o corpo coberto de hematomas, oriundos de violento espancamento.
O corpo foi encontrado por sua irmã e estava caído na sala de estar. Marcas de mãos da vítima, nas paredes do apartamento, indicam que o mesmo, não teve uma morte instantânea. Não existiam sinais de arrombamento e o latrocida teria levado o carro marca Ford, modelo Fiesta Sedan de cor prata. O veículo pertencia a vítima e estava estacionado na garagem privativa do edifício.
Acaba de ser encontrado morto em seu apartamento o educador e artista plástico Marcus Moraes
Marcus Antônio de Oliveira Moraes (54 anos) uma das figuras de maior influência artística de Feira de Santana, foi encontrado morto em seu apartamento na Santa Mônica. Ele não dava notícias desde quinta-feira (15/10). Neta manhã (17/10), um familiar foi até o apartamento dele (edifício Jardim Residencial, Rua Miltom Melo, Bairro Santa Mônica em Feira de Santana) e o encontrou morto.
Sobre Marcus Moraes
Foi coordenador pedagógico no CETEB (Centro Tecnológico da Bahia), é irmão do delegado da polícia civil Mauro Moraes. Decorador e artista plástico, Moraes, produziu um dos seus últimos trabalhos com o título ‘A Guia de Todos os Santos’. Não deixou filhos ou sucessores diretos.
Meu encontro com o artista
A última vez que estive com Marcus Moraes, foi durante a apresentação do grupo musical Outros Baianos, que ocorreu no Teatro de Arena do CUCA em 9 de outubro. Conversamos demoradamente sobre arte, música e ele me falou com ar de alegria dos projetos de decoração que estava desenvolvendo.
Foi com certa surpresa e comiseração que recebi a notícia de sua morte. Logo me veio à mente os bons momentos que passamos juntos. Ele foi coordenador do curso de Design Gráfico do CETEB, onde ministrei aulas de fotografia, oportunidade na qual sempre me ajudava no processo de planejamento das aulas. Uma pessoa de fácil trato, sensível e inteligente, que resolvia os conflitos com sorrisos e tranqüilidade no rosto.
Marcus me convidou a executar o trabalho fotográfico para produção do convite e do catálogo de sua última vernissage individual, A Guia de Todos os Santos. As fotos foram realizadas em seu ateliê, que era o próprio apartamento do artista. Lembro-me de entrar em um ambiente de muita luz, onde se respirava arte. Fiquei encantando com os pequenos objetos que ele usava para decorar os ambientes da casa.
Realizei fotos de Marcus em diversas situações, como se quisesse aprisionar a sua alma na fotografia. Queria transmitir a força do talento do artista às pessoas. Também realizei fotos de seus quadros e de objetos que tocavam a minha sensibilidade.
A saudade
Compartilho com vocês a saudade do amigo, cidadão e acima de tudo, do extraordinário Marcus Moraes. Que Deus o receba com o mesmo sorriso com o qual ele tratava a todos. Até breve amigo.











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