CCAAm – Exposição de presépios tenta resgatar a cultura secular natalina

CCAAm - Exposição de presépios tenta resgatar a cultura secular natalina.
CCAAm – Exposição de presépios tenta resgatar a cultura secular natalina.

O Salão de Presépios 2009 é a continuidade do projeto de mostra de presépios que tem como objetivo resgatar esta cultura secular natalina, na cidade de Feira de Santana-BA. O Salão de Presépios deste ano acontecerá de 08 a 30 de dezembro de 2009, no foyer do Centro de Cultura Amélio Amorim, aberto das 08 às 19 horas e conta com a participação de artistas e convidados que montam seus presépios desde o primeiro Salão, em 2000. Para este ano estão confirmadas as presenças de Rita Suzart, preservando o tradicional presépio de sua mãe Fia, em Feira de Santana; Pita, Ade Ribeiro, Ileana de Queiroz, artistas plásticos; e Dra. Suzana Fernandes

O Salão teve início em 2000 a 2004, quando foi interrompido por causa do incêndio nas dependências do Centro de Cultura Amélio Amorim, retornando finalmente em 2007. O lançamento será dia 08 de dezembro de 2009, a partir das 18:30 horas, no foyer do Centro de Cultura Amélio Amorim e terá a participação do Colégio Santo Antônio encenando um Presépio Vivo.

* Presépio

O presépio é uma das representações mais singelas do nascimento de Jesus Cristo. Procura resgatar a importância e magnitude daquele momento ao mesmo que nos lembra a forma simples e humilde em que se deu o nascimento. A presença do menino Deus naquele estábulo, ao lado de seus pais, tendo por testemunhas os pastores e os animais recebendo a visita dos reis magos guiados à gruta pela estrela de Belém mostra a grandeza e a onipotência de Deus representada na fragilidade de uma criança.

Curiosidades sobre os PRESÉPIOS:

Para muitos, Natal sem presépio simplesmente não é Natal. Apesar da correria contemporânea, muitas famílias mantêm o hábito de montar os seus presépios, procurando passar, ano após ano, uma tradição que, em alguns casos, envolve peças que passam de geração para geração por décadas. E o presépio não significa apenas Maria, José e o Menino Jesus. Cenários coloridos ambientam a cena da Natividade, que ganha características peculiares em cada país, em cada região, em cada igreja e em cada residência. Cada um dá a sua contribuição para que cada presépio, embora trate de um mesmo tema, tenha algum diferencial

Os cristãos celebram a Natividade desde o final do século III, quando peregrinos se dirigiam ao local de nascimento de Cristo, a gruta de Belém. Em 1223, na Itália, Francisco de Assis, o santo protetor dos animais, em vez de festejar a Véspera do Natal com os seus irmãos de ordem e cidadãos de Assis, como fazia habitualmente, na igreja, decidiu levar uma manjedoura, um boi, um burro e outros elementos do presépio para uma floresta de Greccio, perto da cidade. A ideia era tornar a liturgia mais compreensível e acessível ao povo. Um dos espectadores, porém, disse ter visto o Menino Jesus na manjedoura. Surge assim uma nova Belém na Itália e Francisco levou a fama de ter criado o presépio, o que não é totalmente verdade, já que somente séculos depois os presépios ganharam a forma atual.

A prática cresceu a tal ponto e ganhou tamanha veracidade, que os espectadores tinham a sensação de, ao olhar o presépio, estar penetrando no palco da História Sagrada, podendo meditar e atingir a Salvação. As figuras se libertam dos altares e começam a aparecer em grupos, podendo ser admiradas por todos os lados. Elas são soltas, muitas vezes articuladas, e independem umas das outras. Nasce assim o presépio como o concebemos hoje: apto a ser modificado por cada artista que o constrói ou por cada pessoa que o monta, em sua casa, ano após ano.

O primeiro presépio que se conhece numa casa privada foi provavelmente elaborado em 1567 e consta do inventário do Castelo de Piccolomini, em Celano, Itália, segundo o qual a Duquesa de Amalfi, possuía dois baús com 116 figuras, utilizadas para representar o Nascimento e a Adoração dos Reis Magos.

No Brasil, em 1532, o padre José de Anchieta, ajudado pelos índios, já modelava em barro pequenas figuras representando o presépio, com o propósito de inculcar nos indígenas a tradição de honrar o Menino Jesus no dia de Natal. Após um período de influência portuguesa, espanhola e francesa, começaram a aparecer cenas com características nacionais, como lavadeiras carregando trouxas, fazendeiros cuidando de animais, mulheres dando milho a galinhas, monjolos, montes, árvores da terra e igrejinhas iluminadas.

O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, já alertava para a dificuldade de se escrever poemas originais sobre o Natal: “menino, peço-te a graça/ de não fazer mais poema/ de Natal./Uns dois ou três, inda passa…/Industrializar o tema./Eis o mal”. Quanto à capacidade de escrever sobre os presépios e o infinito poder de ser original em cada operação de montagem, a cada ano, o poeta nada disse. Talvez porque soubesse que desde o século XVI, a graça do presépio é justamente essa: ser criativo, tornando cada um deles diferente, pessoal e único.

(A arte dos presépios – Por Oscar D’Ambrosio)


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