Baianos e turistas lotam a Colina Sagrada

As ruas da Cidade Baixa, entre a Basílica da Conceição da Praia e a Igreja do Bonfim, na Colina Sagrada, estiveram cheias na manhã desta quinta-feira (14/01/2010). De acordo com a estimativa da Polícia Militar, mais de 1 milhão de pessoas fizeram o percurso de 8km no tradicional cortejo que acontece há 255 anos durante a Lavagem do Bonfim, a segunda maior festa religiosa da Bahia.

Desde cedo, por volta das 7h, os fiéis já se reuniam na Basílica da Conceição da Praia, no Comércio, para esperar pelo ato religioso que abriria a festa em louvor ao Senhor do Bonfim e a Oxalá, seu correspondente no Candomblé. Por volta das 9h, o cortejo seguiu pelas ruas do bairro, reunindo fiéis, baianas, cavaleiros, filarmônicas e grupos afros, como os Filhos da Gandhi. O governador Jaques Wagner, junto com a primeira-dama Fátima Mendonça, o secretário de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, entre outras autoridades, acompanharam o trajeto.

Dentre os mais de 1 milhão de passantes, não faltou quem estivesse pagando promessas ou participando da lavagem do adro da igreja. Aos 70 anos, a aposentada Lucília Costa Menezes diz que participa da festa desde criança, mas se veste de baiana há 30 anos. “É uma tradição de família, minha mãe era devota, e eu estou aqui mais uma vez, esperando duas irmãs e uma prima, todas vestidas de baiana”, diz. Dona Marina de Jesus, 64, diz participar da lavagem do Bonfim há mais de 20 anos. “Sempre de baiana!”, conta.

Já o artista plástico Djalma dos Santos, de Nazaré das Farinhas, vem vestido de orixá, com fitas do Senhor do Bonfim penduradas na roupa. Filho de Oxalá, diz que tem muito a agradecer. “É muita fé que me traz aqui há 30 anos. Tenho que agradecer por mim e pelos meus amigos”, declara. A aposentada pernambucana Rose Silva, 55 anos, pela primeira vez na Bahia, vem à Lavagem do Bonfim e se diz encantada. “Amei! É a primeira vez que venho, estou gostando muito!”, afirma.

O cortejo chegou à Colina Sagrada em torno do meio-dia. O Padre Edson Menezes fez a bênção aos fiéis e pediu que as orações fossem voltadas para o Haiti. Em meio à lavagem do adro da Basílica do Senhor do Bonfim, feita pelas baianas, os fiéis amarravam fitinhas em agradecimento ao santo. “Estou aqui pagando promessa e agradecendo, porque eu nasci de novo!”, disse, emocionada, a administradora Alice Souza, 40 anos, enquanto juntava sua fitinha às outras centenas, na porta da igreja.

Do outro lado da festa, a mistura de crenças conferiu um tom particular ao ato de louvor: turistas e baianos recebiam o tradicional banho de folhas com água de cheiro, feito pelas baianas, filhas de Oxalá. “A particularidade da festa do Senhor do Bonfim é a sua ligação evidente com o Candomblé, pela figura de Oxalá”, disse o historiador Manuel Passos, sobre a mais emblemática das festas populares da Bahia.


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