O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou do recesso de fim de ano disposto a convencer o deputado Ciro Gomes (PSB) a concorrer ao governo paulista. Apesar desse projeto ter surgido em 2009, as negociações emperraram nos últimos meses do ano passado. Lula tem repetido aos seus interlocutores que existe um espaço claro, não preenchido ainda, para uma candidatura de oposição em São Paulo. Eleito pelo Ceará, o deputado mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo no ano passado.
Segundo um auxiliar do presidente, o argumento de Lula é de que as fortes chuvas que caíram sobre São Luís do Paraitinga (SP) e na capital paulista, destruindo casas e alagando ruas – especialmente no Vale do Anhangabaú, no Centro – podem abalar a avaliação positiva das administrações do PSDB (que governa o Estado com José Serra) e do DEM (que governa a capital, com Gilberto Kassab).
Mas o presidente sabe que a construção dessa candidatura não depende apenas da sua vontade. Ao longo dos últimos meses, Lula tem dito que, baseado no respeito e na gratidão que nutre pelo parlamentar cearense, não pretende “colocar Ciro em uma fria”. Ele sabe que a estratégia terá que contar com o aval do PT.
Pessebistas já avisaram ao presidente que, mesmo com as crises recentes, o cenário ainda é desfavorável: o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, é um nome forte; José Serra, caso decida concorrer à reeleição, não terá adversários. “Ainda que os tucanos escolham outro candidato – como o chefe da Casa Civil do Estado de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, por exemplo -, eles têm um elenco de realizações para mostrar à população”, admitiu um político envolvido nas negociações.
* Com informações do Valor Econômico







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