Exército Japonês tenta tirar proveito de seu custoso pacifismo

Tóquio, 3 abril de 2010 (EFE).- O Japão quer exportar material militar para uso humanitário e aumentar a cooperação com seus aliados e assim rentabilizar seu investimento em defesa, um dos mais elevados do mundo, dentro dos limites de sua Constituição pacifista.

A recente aprovação do orçamento 2010, que começou ontem, no qual a despesa para Defesa aumentou 0,3%, ilustra o que para alguns generais supõe manter a custosa indústria militar de um país que se atém a uma Constituição pacifista.

Segundo disse à Agência Efe um oficial das Forças de Terra de Autodefesa, denominação do Exército “não atacante” do Japão, “a cada certo tempo é necessário adquirir um número determinado de tanques e veículos armados para manter a infraestrutura e favorecer a inovação”.

O Ministério da Defesa pretende abrir os mercados com uma exceção que poderia ser aprovada no fim de ano e permitiria vender equipamentos para utilização com motivos humanitários, assim como favorecer uma cooperação conjunta maior com a União Europeia (UE) e os EUA sem contradizer a Constituição.

O titular da Defesa japonês, Toshimi Kitazawa, expressou esta semana em uma entrevista ao jornal “Nikkei” sua intenção de “pôr em prática” alternativas para o desenvolvimento armamentístico do Japão, enquanto fontes do Ministério revelaram que o objetivo é “manter o nível da tecnologia de defesa a preços estáveis”.

As despesas em Defesa do Japão (38,720 milhões de euros no ano fiscal de 2010), limitados a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), são quase a metade das da China, a grande potência regional da Ásia, enquanto Tóquio segue confiando na aliança com os Estados Unidos para responder a possíveis ameaças.

Para que saiam os números, o Ministério da Defesa decidiu reduzir as despesas em pesquisa militar em 15% a partir de abril de 2011 com relação aos níveis de 2006. O orçamento em defesa do país vem sendo cortado paulatinamente desde 2002.

A Carta Magna japonesa impede que o país se transforme em “uma superpotência militar” e limita as capacidades de suas tropas à defesa, por isso entre muitas outras coisas o Japão não pode vender armamento a países implicados em conflitos.

Essa norma impôs um embargo às exportações de tecnologia militar do Japão. Empresas como a Mitsubishi Heavy Industries, que desenvolve e fabrica caças e tanques não podem vender em nível internacional.

Para o oficial japonês é necessário ampliar o pessoal destinado a infantaria e regimentos artilheiros e móveis, já que nestes tempos de crise econômica cada vez mais jovens querem se alistar.
“Para nós é relativamente fácil conseguir novos soldados, sobretudo em tempos de crise, mas não podemos aumentar mais os alistamentos por falta de orçamento e tamanho”, diz.

O fato de compartilhar fronteiras marítimas e áreas com os exércitos mais numerosos do mundo (China, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Rússia) é um pressão invisível sobre o Japão, que ainda tem litígios territoriais pendentes com estes países.

A China, com um orçamento militar que deve aumentar 7,5% este ano, e a Rússia são duas grandes potências à sombra do Japão, uma economia em queda frente ao avanço rápido de seus vizinhos.
A situação estratégica mundial fez com que as Forças de Autodefesa tenham despertado pouco a pouco à realidade de um Exército moderno.

Com a Guerra Fria, os políticos japoneses descartaram em 1954 a ideia de que o Japão carecesse de um corpo militar, hoje um do maiores do mundo com 155 mil tropas de terra, 600 tanques, 260 caças e um sistema antimísseis desenvolvido conjuntamente com os EUA. EFE

*Com informação de Jairo Mejía.


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