Brown renuncia ao governo britânico e abre espaço para conservadores

Após a derrota eleitoral da última semana e o fracasso das negociações de coalizão com os liberal-democratas, o premiê Gordon Brown renunciou. Após 13 anos de governo trabalhista, conservadores devem retornar ao poder.

O premiê britânico, Gordon Brown, anunciou – nesta terça-feira (11/05/2010), em Londres – a apresentação de sua renúncia à rainha Elizabeth 2ª. Após as negociações sobre uma eventual coalizão entre o Partido Trabalhista e os liberal-democratas terem fracassado, o premiê trabalhista abre caminho para uma aliança de centro-direita em Londres.

“Eu disse que faria tudo para assegurar a formação de um governo forte e estável, capaz de enfrentar com eficiência os desafios políticos e econômicos do Reino Unido. Minha tarefa constitucional é garantir que um governo possa se formar logo após as eleições da última quinta-feira”, declarou Brown, desejando “tudo de bom ao próximo primeiro-ministro em suas importantes escolhas para o futuro”. Com essa decisão, Brown também acata o resultado das eleições dessa última quinta feira (06/05), na qual seu partido obteve apenas 258 das 650 cadeiras no Parlamento britânico.

Liberal-democratas impõem exigências para uma coalizão

O mais provável é que os conservadores, que – com 326 cadeiras – conquistaram a maior bancada parlamentar nas eleições, retornem ao poder do Reino Unido após 13 anos, sob liderança de David Cameron. Como faltaram aos conservadores 20 assentos para assegurar a maioria absoluta no Parlamento, um governo sob sua liderança depende do sucesso das negociações de coalizão com os liberal-democratas, que dispõem de 57 cadeiras.

Para comporem uma aliança de governo com os conservadores, os liberal-democratas exigem uma reforma do direito eleitoral majoritário, que prejudica os partidos menores. Os conservadores propuseram ao líder liberal-democrata Nick Clegg um plebiscito sobre o sistema eleitoral do país, uma proposta que – no entanto – não prevê grandes mudanças estruturais. Outras divergências importantes entre conservadores e liberal-democratas são a política europeia e de imigração.

Cameron, o renovador dos conservadores

David Cameron (43), é considerado um jovem modernizador, tendo renovado seu partido durante sua carreira política meteórica. A partir de seu primeiro mandato como parlamentar, em 2001, ele precisou de apenas quatro anos para chegar à liderança do Partido Conservador. Se ele se tornar primeiro-ministro, assumirá o cargo com a mesma idade que o trabalhista Tony Blair tinha ao tomar posse como premiê, em 1997.

Filho de um abastado agente da Bolsa de Valores e pertencente, por parte de mãe, a uma família de deputados conservadores, Cameron teve uma trajetória típica da elite britânica. Estudou no internato de excelência Eton e finalizou seu curso superior com distinção na Universidade de Oxford.

No entanto, na construção de sua imagem política, Cameron tentou evitar se apresentar como advogado dos ricos, distanciando-se da linha de uma Margaret Thatcher, por exemplo, que reformou o país como primeira-ministra, mas perdeu eleitores com sua drástica política de cortes sociais.


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