Presidente Lula avalia o desafio na nova lógica comercial do século 21 para Brasil e Rússia

Durante reunião com Dimitri Medvedev, presidente Lula defendeu acordo com o presidente do Irã. (Foto: PR | Ricardo Stuckert)
Durante reunião com Dimitri Medvedev, presidente Lula defendeu acordo com o presidente do Irã. (Foto: PR | Ricardo Stuckert)

O uso das moedas brasileiras e russas no comércio entre os dois países consiste num importante desafio do século 21. A posição foi apresentada pelo presidente Lula durante discurso de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Rússia. Para uma plateia de cerca de 300 empresários, Lula explicou que tal proposta se faz necessária para que “não estejamos tão vulneráveis”. Ele enfatizou que a recente crise financeira na Grécia mostrou que as medidas adotadas pelas grandes potências não foram suficientes para impedir que outros países ainda sejam afetados.

Além disso, o presidente brasileiro defendeu que Brasil e Rússia, seja em qualquer fórum mundial — como exemplo G-20 ou Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) -, façam prevalecer o setor produtivo em relação ao setor financeiro. Explicou também que o setor financeiro deve ter por função destinar recursos ao segmento produtivo. Lula contou a experiência do Brasil, onde os bancos públicos tiveram papel fundamental no momento da crise econômica mundial que se alastrou no último trimestre de 2008.

“No Brasil, se não fossem os bancos públicos BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal teríamos dificuldades para enfrentar a crise”, explicou. Ele enfatizou que “no Brasil não teve mágina na economia”, mas o que prevaleceu foi a seriedade das autoridades locais no enfrentamento do problema.

Outro desafio lançado pelo presidente Lula foi exatamente a operação aérea direta Brasil-Rússia. Segundo explicou, a inexistência de voo ligando Moscou a outra capital brasileira é algo inexplicável para os dois países que desejam ampliar as relações comerciais. Lula destacou também as oportunidades que estão sendo apresentadas pelo Brasil. Conforme explicou, o momento brasileiro, que se prepara para a Copa 2014 e os Jogos Olímpicos 2016, permite que os investidores russos se voltem para o mercado nacional.

Ao propor um fluxo comercial de US$ 10 bilhões ainda este ano, Lula lembrou que no passado o Brasil dava prioridade aos blocos econômicos da Europa e do Estados Unidos. No entanto, em sua gestão, passou a valorizar o comércio com países das Américas do Sul e Latina, com o continente africano, além do fortalecimento das relações com os países árabes e asiáticos.


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