O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, manifestou na quinta-feira, 27/05/2010, em São Paulo, apoio à atuação internacional do Governo Lula na crise envolvendo o programa de enriquecimento de urânio do Irã. Durante entrevista concedida na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o chefe de governo português afirmou que a iniciativa brasileira de buscar uma solução negociada entre Teerã e as potências ocidentais representou um “passo na direção certa” e deveria ser acompanhada pela comunidade internacional.
José Sócrates defende ação brasileira na crise nuclear iraniana
A manifestação de José Sócrates ocorreu em meio ao debate internacional sobre a estratégia diplomática adotada pelo Brasil diante da crise nuclear iraniana. Na avaliação do primeiro-ministro português, a iniciativa conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi orientada pela busca da paz e pelo respeito ao direito internacional.
“A iniciativa do presidente Lula foi em favor da paz e do respeito pelo direito internacional. Foi recebida pela comunidade internacional com a satisfação de ver alguém dar um passo no sentido do respeito”, declarou Sócrates, ao comentar a tentativa brasileira de abrir caminho para uma solução diplomática.
A fala do primeiro-ministro deu respaldo político à postura do Governo Lula em um momento no qual a política externa brasileira ampliava sua presença em temas de alta complexidade da agenda global. O caso iraniano, por envolver segurança internacional, energia nuclear, sanções e mediação diplomática, colocava o Brasil diante de pressões de diferentes atores internacionais.
Apoio português reforça projeção internacional de Lula
Além de defender a iniciativa brasileira, Sócrates afirmou esperar que Lula continuasse atuando na política internacional após o encerramento de seu mandato presidencial. Segundo ele, o presidente brasileiro acumulava elevado capital político fora do país, com reconhecimento em diferentes continentes e setores políticos.
“O capital político internacional do presidente Lula é enorme. É enorme em todos os setores políticos em todos os continentes. Espero que o presidente Lula tenha consciência que seu capital político deverá continuar a ser posto a serviço da política internacional, para a paz, o desenvolvimento e para a cooperação”, afirmou.
A declaração indicou que, para o primeiro-ministro português, a atuação de Lula ultrapassava os limites da política interna brasileira. Sócrates também afirmou que apoiaria o presidente brasileiro caso ele viesse a assumir um cargo de relevância internacional, entendimento que, segundo ele, poderia ser compartilhado pela esquerda democrática europeia.
Primeiro-ministro elogia esquerda democrática latino-americana
Ao comentar o papel de Lula no cenário internacional, José Sócrates associou a trajetória do presidente brasileiro à capacidade de governos de esquerda exercerem o poder com responsabilidade administrativa e estabilidade institucional. A declaração teve dimensão política, ao situar o mandatário brasileiro como referência para setores da esquerda democrática internacional.
“O presidente Lula mostrou que a esquerda democrática latino-americana sabe governar bem, sabe governar com responsabilidade, sabe governar reforçando a confiança. Sou da esquerda democrática da Europa e tenho certeza que a esquerda democrática vai apoiar o presidente Lula com grande admiração”, declarou.
A fala reforçou a afinidade política entre Sócrates e Lula, mas também projetou a experiência brasileira como exemplo de governo reconhecido por parte da liderança social-democrata europeia. Ao mesmo tempo, a manifestação portuguesa colocou em evidência a importância das relações entre Brasil e Portugal em temas de diplomacia, cooperação e economia.
Reunião na Fiesp abordou investimentos para Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016
A visita de José Sócrates à sede da Fiesp teve também agenda econômica. O primeiro-ministro reuniu-se com empresários portugueses e brasileiros para tratar de oportunidades de investimento no Brasil, especialmente em razão da preparação do país para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Os dois eventos esportivos internacionais ampliavam, naquele momento, o interesse de empresas estrangeiras no mercado brasileiro. Infraestrutura, serviços, turismo, construção civil, transporte e tecnologia estavam entre os setores com potencial de expansão diante da realização dos megaeventos.
A presença do chefe de governo português em São Paulo, portanto, combinou diplomacia política e agenda econômica. De um lado, Sócrates endossou a atuação internacional do Governo Lula na crise iraniana; de outro, buscou aproximar empresários dos dois países em torno de oportunidades relacionadas ao ciclo de grandes eventos no Brasil.








Deixe um comentário