É lamentável que parte dos formadores de opinião avalie como uma onda conservadora o debate sobre valores.
A religiosidade do brasileiro foi alçada ao centro do segundo turno da campanha presidencial. E os dois candidatos a presidente — Dilma e Serra — buscam se comportar conforme o que acreditam ser a demanda do eleitorado — ou parte considerável do eleitorado, de convicção católica e evangélica.
Vigilante, um periódico da grande imprensa observou o comportamento dos candidatos em missas no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Segundo este jornal, Dilma não comungou e fez o “sinal da cruz” com retardo; já o candidato Serra comungou e participou atentamente da missa.
A imprensa que se intitula laica batiza a toda essa “interface” eleitoral entre religião e política como: “intenso cerco conservador”, “concessões ao lobby religioso” etc e considera isso grave.
Se erigindo em arautos da verdade, os cronistas de jornal consideram que discussões sobre ética e valores é apenas “conservadorismo religioso”.
Esses cronistas modernosos não levam em conta que sobre inúmeras questões, inclusive sobre o tema do aborto, o que move o cidadão brasileiro em sua maioria — segundo pesquisas — rejeitar a legalização, são questões de foro íntimo, ligados a uma ética e valores que, antes de serem religiosos, são convicções pessoais.
É lamentável que parte dos formadores de opinião avalie desta forma, isto é, como uma onda conservadora, o debate sobre valores. Arraigado em suas teses, consideram indiscutível, por exemplo, o direito ao aborto, que qualificam como um direito da mulher.
Do outro lado, os defensores da vida e não morte lembram os direitos do nascituro, que vem primeiro sobre qualquer cálculo egoísta de uma mulher que visa realizar cruel e irresponsável ato.
Tudo isso torna o debate um diálogo de surdos. Se existem riscos, são aqueles que alertou o fenômeno eleitoral Marina Silva: “precisamos ter a sabedoria de não importar conflitos religiosos que existem em outros países para o Brasil, onde temos cultura de respeito pela diferença e pela diversidade”.
Um pouco de respeito aos defensores da vida e não morte seria bom que observassem certos jornalistas da grande imprensa brasileira. Pois o que caracteriza um Estado democrático é o pluralismo e o respeito ao livre pensamento.
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