No sábado (30/10/2010), véspera do segundo turno da eleição presidencial, o então prefeito de Feira de Santana, Tarcízio Pimenta, divulgou nota oficial para contestar avaliações atribuídas ao jornalista Glauco Wanderley, que atuava na sucursal do jornal A Tarde no município. A manifestação respondeu ao artigo intitulado Tarcízio: Desagradando a Gregos e Troianos e negou que os entendimentos administrativos mantidos pelo Município com os governos da Bahia e Federal representassem compromissos político-partidários ou mudança de posição eleitoral.
Nota contesta interpretação sobre movimentação política
O artigo questionado analisava a posição de Tarcízio Pimenta diante de diferentes grupos políticos que disputavam influência na Bahia e em Feira de Santana. A expressão “desagradando a gregos e troianos” foi utilizada como referência às dificuldades de conciliar interesses de campos políticos distintos.
Na resposta oficial, o prefeito rejeitou a interpretação de que estivesse buscando aproximações eleitorais ou assumindo compromissos com diferentes lideranças. Segundo ele, reuniões, convênios e atos públicos realizados com representantes estaduais e federais estavam relacionados às responsabilidades institucionais da administração municipal.
“Não andei me insinuando para ninguém, nem fiz compromisso político que fugisse à coerência com que tenho me pautado. Quem se iludiu com especulações ou confundiu postura administrativa com postura político-partidária cometeu um equívoco muito grande.”
A declaração estabeleceu o principal argumento da manifestação: a diferença entre cooperação administrativa, necessária à execução de políticas públicas, e aliança político-partidária, vinculada às disputas eleitorais e à organização dos partidos.
Prefeito defende relações institucionais com diferentes governos
Tarcízio Pimenta afirmou que os entendimentos mantidos com o Governo da Bahia e com o Governo Federal tinham como finalidade obter investimentos, obras e serviços para Feira de Santana. De acordo com o então prefeito, não havia contrapartida eleitoral ou partidária associada às iniciativas.
Ele mencionou encontros com o então governador da Bahia, Jaques Wagner, e com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, realizados no Paço Municipal Maria Quitéria e em outros espaços públicos. Segundo a nota, as agendas tiveram caráter administrativo, contaram com divulgação antecipada e foram acompanhadas por profissionais de imprensa.
O gestor sustentou que os encontros serviram para anunciar recursos públicos e apresentar a destinação dos investimentos. Na avaliação de Pimenta, a publicidade dos atos demonstrava que não existiam acordos reservados ou negociações político-eleitorais vinculadas às parcerias.
“Nunca firmei nenhum compromisso político-partidário em troca de benefícios para Feira de Santana. Recebi o governador Jaques Wagner e o ex-ministro Geddel Vieira Lima na prefeitura, em eventos eminentemente administrativos, para anunciar a liberação de recursos e como eles seriam empregados no município.”
O prefeito acrescentou que continuaria dialogando com autoridades estaduais e federais sempre que houvesse possibilidade de obtenção de investimentos para o município, independentemente das diferenças partidárias existentes entre os grupos envolvidos.
Convênios e programas federais foram apresentados como exemplos
Entre as medidas mencionadas no contexto da nota estava o convênio destinado à revitalização das praças Monsenhor Renato Galvão, conhecida como Praça da Matriz, e Padre Ovídio, ambas localizadas no Centro de Feira de Santana.
O acordo previa aproximadamente R$ 980 mil, além da contrapartida municipal. Os recursos seriam provenientes do Ministério do Turismo, por meio de emenda parlamentar indicada pelo então senador César Borges, e o convênio seria formalizado com a Caixa Econômica Federal.
A assinatura estava prevista para a segunda-feira, 25/10/2010, cinco dias antes da publicação da nota contra o artigo de Glauco Wanderley. O projeto pretendia recuperar áreas centrais de importância histórica, religiosa e urbana para Feira de Santana.
Tarcízio Pimenta também citou a participação da Prefeitura no programa Minha Casa, Minha Vida. Naquele período, o Município colaborava com empreendimentos habitacionais por meio de incentivos fiscais, enquadramento de áreas como zonas de interesse social e apoio à infraestrutura necessária aos conjuntos residenciais.
A presença conjunta do prefeito e do governador Jaques Wagner em entregas de moradias foi apresentada como exemplo de colaboração institucional. Para Pimenta, essas agendas não poderiam ser interpretadas automaticamente como adesão política ao grupo governista estadual.
Apoio a José Serra foi reafirmado durante o segundo turno
A controvérsia ocorreu no período final da eleição presidencial de 2010. O segundo turno, disputado por Dilma Rousseff, do PT, e José Serra, do PSDB, estava marcado para o domingo, 31/10/2010, um dia depois da publicação da nota.
Em 22/10/2010, Tarcízio Pimenta já havia divulgado outra manifestação oficial reafirmando apoio à candidatura de José Serra. Na ocasião, declarou que mantinha no segundo turno o posicionamento adotado na primeira etapa da eleição e classificou como especulação a possibilidade de mudar de lado na disputa presidencial.
Esse posicionamento partidário coexistia com os entendimentos administrativos mantidos pelo Município com o Governo Federal e com o Governo da Bahia, ambos comandados por forças políticas adversárias da candidatura apoiada pelo prefeito.
A distinção entre essas duas dimensões — a administrativa e a eleitoral — tornou-se o centro da resposta ao artigo. Pimenta rejeitou a interpretação de que estivesse indeciso ou desorientado e afirmou que sua atuação institucional não poderia ser confundida com alteração de compromisso político.
“Eu sou o prefeito da segunda maior cidade da Bahia, que também vem a ser o segundo maior colégio eleitoral do estado. Estou administrando o município sem maiores dificuldades e mantendo a coerência na minha postura político-partidária.”
Na mesma declaração, o então gestor afirmou não ter necessidade de “cortejar” lideranças e declarou que tanto Jaques Wagner quanto Geddel Vieira Lima respeitavam sua atuação administrativa em defesa dos interesses do município.
Cooperação entre Município e Estado já ocorria em outras áreas
A relação institucional entre a Prefeitura de Feira de Santana e o Governo da Bahia não estava restrita às obras urbanas e aos programas habitacionais. Em 03/02/2010, por exemplo, Tarcízio Pimenta e Jaques Wagner participaram da entrega de oito viaturas destinadas ao policiamento dos distritos feirenses.
Os veículos haviam sido adquiridos pela administração municipal e entregues ao Estado para utilização pela Polícia Militar. O ato foi apresentado como resultado de uma parceria voltada à ampliação da segurança pública na zona rural do município.
A ocorrência de agendas conjuntas ao longo de 2010 reforçava o argumento de que existia uma relação administrativa regular entre os entes públicos. Ao mesmo tempo, o cenário eleitoral fazia com que encontros institucionais fossem acompanhados por interpretações sobre possíveis rearranjos partidários.
Quem foi Homero
Homero é o nome tradicionalmente associado à autoria da Ilíada e da Odisseia, os dois grandes poemas épicos da Grécia Antiga e obras fundamentais da literatura ocidental. Sua existência histórica, contudo, permanece incerta. Embora os gregos antigos geralmente o considerassem um poeta real — frequentemente representado como um aedo cego originário da região da Jônia —, não existem registros contemporâneos nem informações biográficas confiáveis sobre sua vida. As biografias antigas que chegaram até o presente foram produzidas séculos depois e reúnem tradições contraditórias e elementos lendários.
A maioria dos estudiosos reconhece que a Ilíada e a Odisseia resultam de uma longa tradição de poesia oral e formular, desenvolvida e transmitida por sucessivas gerações de cantores antes de adquirir formas escritas relativamente estáveis. Entretanto, não há consenso sobre a etapa final de composição: alguns pesquisadores defendem a atuação decisiva de um único poeta; outros atribuem os poemas a autores diferentes ou a um processo coletivo e gradual de recomposição durante as apresentações orais.
Nesse sentido, “Homero” pode designar tanto um possível poeta histórico quanto a figura autoral criada pela tradição para representar a origem dos poemas homéricos. Em 1999, o filólogo britânico Martin Litchfield West apresentou uma das interpretações mais contundentes sobre o tema: para ele, “Homero” não seria o nome de um poeta histórico, mas um nome “fictício ou construído”, associado posteriormente à Ilíada e à Odisseia. Essa posição, embora influente, constitui uma tese específica dentro de um debate acadêmico ainda aberto, e não uma conclusão aceita unanimemente.







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