Argentina rejeita recusa de Cameron em negociar soberania das Malvinas

O Governo argentino rejeitou nesta segunda-feira as recentes declarações do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, de que não negociará a soberania das ilhas Malvinas apesar das insistentes reivindicações do país sul-americano.

“A Argentina reitera seu pedido ao Reino Unido para que responda às exortações da comunidade internacional e cumpra sua obrigação de resolver pacificamente a polêmica da soberania”, destacou a Chancelaria argentina em comunicado.

“Da mesma maneira, o Governo argentino reitera seu enérgico repúdio às atividades de prospecção e exploração de recursos naturais renováveis e não renováveis na plataforma continental argentina realizada pelo Reino Unido”, indicou.

Assinalou que essas atividades estão “em contradição com a resolução 31/49 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que pede a ambas as partes que se abstenham de adotar decisões unilaterais na área em disputa”.

Sobre a referência de Cameron à existência de supostas interferências no tráfego de navios nas ilhas Malvinas, a Chancelaria indicou que as medidas adotadas pela Argentina “acontecem conforme as faculdades conferidas por direito interno e internacional”.

“O que, em rigor, é contrário ao direito internacional é a manutenção de um anacrônico enclave colonial em pleno Século XXI que inclui a depredação dos recursos naturais da região e a realização de exercícios militares que colocam em risco a segurança da navegação no Atlântico Sul”, acrescentou.

Em mensagem aos habitantes das ilhas, David Cameron disse não ter dúvidas sobre a soberania do Reino Unido em relação às Malvinas e assegurou que não negociará essa questão “a menos que os moradores queiram”.

Os países se enfrentaram em 1982 em uma guerra pela soberania do arquipélago situado no sul do oceano Atlântico, que deixou 255 militares britânicos e mais de 650 argentinos mortos.

Desde então, a Argentina não deixou de reivindicar perante a ONU e outros organismos internacionais a soberania das ilhas, situadas a 400 milhas marítimas de suas costas, invadidas e ocupadas pelos britânicos em 1833.

*Com informações do Deutsche Welle


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