Não somos enviados, mas sim chamados | Por José Carlos García Fajardo

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O voluntariado social atua como uma rede na arena de um circo: recolhe o corpo do que cai, devolve-o a seu lugar e passa despercebido pelo público, atento ao que acontece nos trapézios.

A autenticidade do voluntariado social é medida pela resposta à uma desigualdade injusta ou a um atentado à liberdade, pois a vida é vista como um caminho na busca da felicidade, e esta é inseparável da liberdade e da justiça.

A História demonstra que sempre existiram pessoas compassivas que se ocuparam dos demais. Por razões religiosas, éticas ou simplesmente humanas. Por isso não se devia fazer tanto estardalhaço do termo “humanitário” e da pretensão daqueles que afirmam que só por motivos religiosos, ainda que inconscientes, é possível realizar tarefas de voluntariado.

O voluntariado social se caracteriza pela gratuidade, continuidade, livre-escolha, pelo ato de inserir-se em um programa dentro de una organização séria e pelo conhecimento e respeito de indivíduos e povos em não confundir a realidade com os desejos.

Do contrário, incorre-se em burocracia, produtividade e formação de seitas. Então se repete a história da decadência dos movimentos sociais para converterem-se em partidos políticos, grupos de poder ou bando de interesses.

Os movimentos sociais que marcam a história começaram com um grupo de pessoas que se compadeceram das desgraças alheias e se levantaram contra a injustiça. Organizaram-se em grupos, padeceram a incompreensão enquanto superavam as dificuldades e ocuparam o lugar que lhes correspondia no tecido social.

Eram como o chamado que o ponto fazia à agulha, segundo a resposta do mestre de acupuntura. Os voluntários sociais não costumam ser enviados, mas se sentem chamados. Como o sangue acude a borda da ferida para limpá-la, refrescá-la e se possível, aliviá-la. O nosso papel não é curar, mas sim cuidar e sempre de forma subsidiária.

Impõe-se um debate sobre o papel dos professionais que trabalham nas ONGs junto aos voluntários sociais. O professional pode ser voluntário, mas se recebe um salário e não está dominado pela paixão da justiça, levará a organização a perder seus sinais de identidade. O maior valor das ONGs radica em sua vocação de serviço, com denúncia das injustitas e contribuição de propostas alternativas.


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