A Arquidiocese de Feira de Santana solicitou na quarta-feira, 16/02/2011, à Prefeitura Municipal a inclusão de um módulo policial no projeto de reforma das praças Monsenhor Renato Galvão, conhecida como Praça da Catedral, e Padre Ovídio, situada no Centro da cidade, durante reunião entre o arcebispo metropolitano Dom Itamar Vian e o prefeito Tarcízio Pimenta. O pedido foi apresentado em meio a preocupações com segurança pública no entorno da Igreja Católica, área tradicional de circulação religiosa, histórica e urbana, onde foram relatados problemas associados a tráfico de drogas, prostituição, assaltos e episódios de violência.
Prefeitura vai analisar pedido da Arquidiocese
A solicitação da Arquidiocese será encaminhada à Secretaria Municipal de Planejamento, órgão responsável pela elaboração do projeto de reforma das praças. Segundo o prefeito Tarcízio Pimenta, os técnicos municipais ficariam encarregados de avaliar a viabilidade da construção do equipamento de segurança no local.
“Os nossos técnicos irão analisar a viabilidade de construção de um módulo policial”, afirmou o prefeito, conforme o conteúdo divulgado pela administração municipal à época.
O encontro ocorreu no início da tarde de quarta-feira e contou também com a presença dos secretários municipais Celso Pereira, de Governo, e Fabrício Almeida, de Comunicação Social, além do Frei José Monteiro. A composição da reunião indicou que o pedido ultrapassava a esfera estritamente religiosa, alcançando dimensões administrativas, urbanísticas e de segurança pública.
Reforma das praças envolve área histórica do Centro
As praças Monsenhor Renato Galvão e Padre Ovídio integram uma das áreas mais simbólicas de Feira de Santana. Situadas no entorno da Catedral Metropolitana de Senhora Sant’Ana, elas compõem o núcleo histórico, religioso e urbano da cidade, com fluxo de fiéis, estudantes, comerciantes, moradores e visitantes.
A Praça Padre Ovídio, também associada à memória da antiga Praça da Matriz, ocupa posição de destaque na paisagem central feirense. Sua localização, próxima à Catedral, ao comércio e a instituições de ensino, amplia a relevância do debate sobre ordenamento urbano, preservação do patrimônio, circulação de pessoas e segurança.
A proposta de inserir um módulo policial no projeto de reforma indicava que a revitalização física do espaço público, por si só, não seria suficiente para enfrentar todos os problemas relatados no entorno. A demanda apresentada pela Arquidiocese associava infraestrutura urbana e presença institucional do poder público como elementos complementares.
Relatos apontam insegurança no entorno da Catedral
O conteúdo encaminhado à imprensa registrou que a região da Praça da Matriz era apontada como área marcada, havia bastante tempo, por problemas relacionados ao tráfico de drogas e à prostituição. Também foram mencionados assaltos frequentes nas proximidades da igreja e registros de homicídios, circunstâncias que teriam provocado insegurança entre frequentadores da Catedral.
De acordo com o relato apresentado, parte dos fiéis teria se afastado do local por receio da violência, inclusive pelo temor de bala perdida. A informação revela um ponto sensível para a vida comunitária: quando a insegurança atinge áreas religiosas e espaços públicos tradicionais, o impacto deixa de ser apenas policial e passa a afetar a convivência social, o patrimônio simbólico e a liberdade de circulação.
Embora o texto original mencione esses problemas como notórios, a apuração jornalística exige distinguir a reivindicação institucional da Arquidiocese, confirmada pela reunião, dos relatos de criminalidade, que demandariam verificação complementar por meio de dados oficiais de segurança pública, registros policiais e manifestações das autoridades competentes.
Pedido reforça debate sobre ocupação e preservação do espaço público
A demanda por um módulo policial expressa a tentativa de recuperar a função social das praças centrais como áreas de convivência, passagem e celebração religiosa. Em cidades médias e grandes, a degradação de espaços públicos costuma produzir efeitos cumulativos: redução da presença de famílias, enfraquecimento do comércio local, sensação de abandono e ampliação de conflitos urbanos.
No caso da Praça Padre Ovídio e da Praça da Catedral, a questão assume relevância adicional por envolver uma região vinculada à história religiosa de Feira de Santana. A presença da Catedral Metropolitana transforma o espaço em referência não apenas para cerimônias litúrgicas, mas também para eventos culturais, encontros comunitários e manifestações públicas.
A inclusão de um equipamento policial, caso considerada viável, poderia ampliar a sensação de segurança e reforçar a presença do Estado em área de grande circulação. No entanto, medidas desse tipo dependem de planejamento integrado, definição de efetivo, manutenção permanente, articulação com a Polícia Militar, Guarda Municipal e demais órgãos de segurança, além de ações sociais capazes de enfrentar as causas estruturais da ocupação irregular e da violência urbana.
Participação da Igreja evidencia pressão por resposta institucional
A solicitação da Arquidiocese de Feira de Santana expõe uma tensão recorrente nas cidades brasileiras: a distância entre a importância simbólica dos espaços históricos e a fragilidade das políticas permanentes de segurança, manutenção e ocupação social. A Praça Padre Ovídio e a Praça Monsenhor Renato Galvão não são áreas periféricas ou secundárias; integram o coração religioso e urbano do município. Por isso, a degradação do entorno da Catedral tem peso institucional e social mais amplo.
A iniciativa da Arquidiocese revelou a preocupação de uma instituição religiosa com a proteção de fiéis e usuários do espaço público. Ao levar o pedido diretamente ao chefe do Executivo municipal, Dom Itamar Vian colocou a segurança da área da Catedral na agenda administrativa da Prefeitura.
O gesto também demonstrou a força institucional da Igreja Católica em temas urbanos de interesse coletivo. A solicitação não se limitou à preservação de um templo religioso, mas alcançou a necessidade de reorganizar uma área pública central, frequentada por diferentes segmentos da população.
A resposta do prefeito, ao encaminhar o pleito para análise técnica, manteve o assunto no campo administrativo. A decisão final dependeria da avaliação urbanística, da compatibilidade com o projeto de reforma, dos custos, da definição de responsabilidade operacional e da capacidade do município de articular a implantação do equipamento com os órgãos de segurança.








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