Itália decreta emergência humanitária frente a onda de refugiados

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Chegada de milhares de refugiados à ilha de Lampedusa nos últimos dias levou Roma a decretar estado de “emergência humanitária” no país. Medida é usada para contornar fluxo incessante de cidadãos do norte da África.

Diante do intenso fluxo de imigrantes ilegais que aportam no sul da Itália, originários em sua maioria da Tunísia, o governo italiano decretou um “estado de emergência humanitária”. Nos últimos cinco dias, segundo informações de autoridades italianas, cerca de 5 mil refugiados norte-africanos chegaram ao país.

A ilha italiana de Lampedusa, localizada entre a Sicília e o norte da África, é o principal destino dos refugiados. Na madrugada deste domingo (13/02/2011), por volta de mil refugiados tunisianos chegaram a Lampedusa em pequenas embarcações, que foram interceptadas pela guarda costeira italiana. A polícia estima que mais de 2 mil tunisianos ilegais se encontram na minúscula ilha.

Desde o início dos protestos na Tunísia, que culminaram na queda do ex-presidente Ben Ali, em meados de janeiro último, milhares de tunisianos passaram a procurar abrigo em outras nações. O chefe da guarda costeira italiana, Antonio Morana, afirmou neste domingo que “a situação está difícil” e que “novas embarcações não param de chegar”.

O mar calmo e o bom tempo favorecem as partidas, mesmo que a travessia não esteja livre de riscos, sobretudo devido ao mau estado das embarcações. No sábado, segundo a agência de notícias tunisiana TAP, um barco com 12 pessoas naufragou próximo a Zarzis, na costa da Tunísia, causando a morte de um tunisiano.

Ajuda de vizinhos

Barcos e aviões foram disponibilizados para transportar os imigrantes ilegais que chegam a Lampedusa para centros de refugiados na Sicília e no sul da Itália, onde serão identificados.

O ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, sugeriu que terroristas da Al Qaeda e criminosos em geral poderão se aproveitar da situação para entrarem na Europa, sem serem interceptados.

O governo italiano havia pedido ajuda aos seus vizinhos europeus na sexta-feira. No sábado, Roma declarou o estado de “emergência humanitária”, que permite às autoridades ignorar algumas formalidades legais, tomar medidas imediatas e mobilizar rapidamente recursos financeiros.

“No entanto, isso não é suficiente. É preciso mobilizar os países mediterrâneos que tenham navios, aviões e helicópteros” para controlar a costa tunisiana, defendeu o ministro italiano do Exterior, Franco Frattini, em entrevista publicada neste domingo no jornal Corriere della Sera.

Modelo albanês

Frattini recomendou a aplicação do “modelo albanês” para resolver o problema, lembrando que nos anos 1990 chegaram à Itália, em apenas uma semana, 15 mil refugiados albaneses.

“Conseguimos resolver a crise através do envio de navios para patrulhar as águas albanesas. Tirana aceitou nossa ajuda e pôs fim à migração”, lembra o ministro. Quando os responsáveis pelo tráfico de clandestinos viam os navios militares a dois quilômetros da costa, não deixavam sair as embarcações, acrescentou Frattini .

O ministro espera que a União Europeia tome rapidamente uma decisão, nos próximos dez dias, sobre uma possível missão para patrulhar a costa da Tunísia. De acordo com Roberto Maroni, um dos problemas é que o acordo bilateral com a Tunísia, em matéria de imigração ilegal, já não é aplicado desde a transição política iniciada pela queda de Ben Ali, em 14 de janeiro.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), “alguns fogem da pobreza”, enquanto “outros pedem asilo político” ou dizem que querem “esperar para ver o que vai acontecer na Tunísia”.

*Com informações do Deutsche Welle


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