As redes sociais podem substituir os jornalistas? | Por Leticia Nunes

Toda a euforia em torno das redes sociais como poderosas ferramentas de comunicação e por que não, jornalismo levanta uma questão. Estariam sites como Twitter e Facebook desempenhando com competência o mesmo papel de veículos de comunicação estabelecidos e jornalistas profissionais? A onda de revoltas populares que teve início na Tunísia, passou pelo Egito, atingiu o Bahrein e chegou à Líbia foi impulsionada pela internet. Cidadãos se mobilizaram pela rede e transformaram seu descontentamento em realidade.

“Lenin, Fidel Castro e o aiatolá Khomeini fizeram revoluções antes do Twitter existir. A União Soviética entrou em colapso enquanto Mark Zuckerberg, do Facebook, ainda usava fraldas. Então é possível que alguns dos créditos à onda de liberdade que invadiu o Oriente Médio pertença mais a seres humanos regulares se unindo do que a uma maré de tweets”, escreve o colunista Peter Preston no jornal britânico Observer [27/2/11].

Além da mobilização, as redes sociais também assumiram papel de destaque na cobertura dos protestos e confrontos nestes países. Equipes de mídia foram, em alguns casos, impedidas de se aproximar da ação – no Egito, jornalistas chegaram a ser agredidos fisicamente – e, em outros, não podiam nem entrar no país – como nos primeiros dias de conflito na Líbia. Desta forma, relatos de cidadãos locais via mensagens de Twitter e Facebook tiveram extrema relevância.

Credibilidade

Ainda assim, ressalta Preston, não pode haver comparação justa com o jornalismo tradicional. O que há nestes relatos voluntários são fragmentos de informações. “As coisas se tornaram mais claras quando repórteres de verdade chegaram ao coração da ação”, diz ele sobre a Líbia, reconhecendo, entretanto, que “as redes sociais e o ‘jornalismo cidadão’ têm um papel real a desempenhar. Eles são um combustível tecnológico que ajuda a acender a juventude árabe. Eles cruzam fronteiras e alertam outros participantes potenciais sobre o que está acontecendo. Eles começam a disseminar a luz quando regimes opressivos tentam esconder crises internas. Mas, sem a oportunidade de uma checagem rápida, eles são também ferramentas que devem ser manuseadas com cuidado pelas organizações de notícias”. Ainda que as intenções sejam boas, tempos de guerra são sempre conturbados e as informações acabam ficando desencontradas. Por isso, cautela é essencial. Assim como correspondentes de guerra, defende Preston.

* Por Leticia Nunes


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