Bird e Banco Mundial alertam que Brasil tem dez anos para se preparar para envelhecimento da população

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Segundo o Banco Mundial, a expectativa é que, a partir de 2020, a proporção entre dependentes e pessoas em idade ativa volte crescer, com o aumento da proporção de idosos na população geral. Estima-se que a população com 65 anos ou mais, que hoje soma 20 milhões, chegue a 65 milhões.

Para o coordenador do estudo, Michele Gragnolati, esse é um momento único, em que é preciso aproveitar a grande disponibilidade de mão de obra para promover o crescimento econômico. É também a hora de se pensar numa forma de reestruturar o sistema previdenciário do país.

“A sociedade tem que achar maneiras para financiar o número de aposentados de maneira eficiente, sustentável, com incentivos que permitam poupança, investimento, crescimento e sustentabilidade”, disse.

De acordo com o Banco Mundial, para aproveitar o momento, é necessário, por exemplo, criar oportunidades de trabalho suficientes para a população em idade ativa e ter um mercado financeiro que transmita confiança às pessoas que queiram poupar para o futuro.

Bird: envelhecimento da população trará desafios para o sistema de saúde do Brasil

A população idosa brasileira deve triplicar nos próximos 40 anos, passando de 20 milhões em 2010 para 65 milhões em 2050, segundo expectativa do Banco Mundial (Bird). De acordo com estudo divulgado hoje (06/04/2011) pela instituição financeira internacional, o aumento da população com 65 anos ou mais trará desafios para o sistema de saúde brasileiro.

“Gastos em saúde provavelmente aumentarão substancialmente. De fato, cuidados com saúde tendem a emergir como um dos maiores desafios fiscais nas próximas décadas no Brasil. Existem duas forças por trás da projeção de aumento dos gastos com saúde: o aumento da proporção de idosos na população e o aumento da intensidade do uso dos serviços de saúde pelos idosos”, prevê o estudo.

Além do aumento do número de pessoas muito idosas nos próximos 30 anos, haverá menos disponibilidade de ajuda familiar para essas pessoas, em virtude da presença feminina no mercado de trabalho e da mudança nos valores familiares. A projeção do Bird é que o número de idosos sem cuidados familiares irá duplicar até 2020 e quintuplicar até 2040.

“Alternativas aos cuidados domiciliares precisam ser desenvolvidas para enfrentar a demanda de cuidados de longo prazo de um número crescente de idosos que não poderão ser sustentados por seus familiares. O fortalecimento da capacidade do Programa Saúde da Família é uma estratégia possível, mas isso demandará foco e esforços adicionais”, diz o documento.

O relatório Envelhecendo em um Brasil Mais Velho também prevê que o sistema de saúde brasileiro deve ser adaptado aos perfis epidemiológicos de uma população mais idosa. Além disso, o aumento dos gastos em saúde dependerá da prevenção e do retardamento de doenças na população.


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