Oito funcionários da ONU morrem durante protesto no Afeganistão

Afegão seguram cartazes em protestos que terminaram em violência, e deixaram onze pessoas mortas, oito delas funcionários da ONU.
Afegão seguram cartazes em protestos que terminaram em violência, e deixaram onze pessoas mortas, oito delas funcionários da ONU.

Pelo menos oito funcionários das Nações Unidas foram mortos no norte do Afeganistão, na cidade de Mazar-i-Sharif, depois de um protesto contra a queima de um Corão nos EUA se ter tornado violenta. Dois deles foram decapitados. Responsáveis da ONU falam na possibilidade de número de vítimas mortais da violência na cidade chegar às duas dezenas.

Este último balanço foi avançado à Reuters por responsáveis das Nações Unidas e inclui, além dos funcionários da organização, guardas ao seu serviço e militares nepaleses, contratados para a segurança da missão.

Foi realçado, porém, que estes são dados que podem ser sujeitos a alterações, numa altura em que não são claros todos os dados sobre este incidente.

Anteriormente, o porta-voz da polícia para a região norte do país, Mohammad Ahamdzai, citado pela Reuters, dissera que «oito estrangeiros foram mortos e um foi ferido quando manifestantes invadiram o escritório [das Nações Unidas] em Mazar-i-Sharif», acrescentado que «dois foram decapitados».

O governador da região de Balkh, Ata Mohammad Noor, afirmou, depois, que este protesto foi usado como cobertura para o ataque aos escritórios das Nações Unidas, acrescentando que cinco manifestantes também morreram e vinte foram feridos.

Uma fonte policial, que pediu para não ser identificada, disse à Reuters que o chefe da missão ficou ferido. Este responsável terá revelado que cinco das vítimas eram nepalesas e que as outras três eram de nacionalidades sueca, norueguesa e romena.

De acordo com a agência noticiosa, mais de um milhar de pessoas saíram às ruas, após as habituais orações islâmicas de sexta-feira, mas só duas a três horas depois é que irrompeu a violência.

Um pequeno grupo dirigiu-se às instalações da ONU e atacou-as à pedrada, invadindo-as em seguida. Depois do ataque o edifício foi incendiado.

Em declarações à Reuters, um porta-voz das Nações Unidas confirmou o incidente, mas sem adiantar mais detalhes, referindo que a situação ainda é confusa.

Este protesto aconteceu na sequência da queima de um Corão por parte de um pastor norte-americano, no passado dia 20 de Março na Florida.

O aco protagonizado pelo pastor Wayne Sapp foi presenciado pelo polêmico pastor Terry Jones, que quis assinalar o último aniversários dos atentados de 11 de Setembro de 2001, nos EUA, com a queima do livro sagrado do Islão, um acto que cancelou depois de uma intensa pressão para o não fazer.

Em declarações à AFP, um dos manifestantes explicou: «Na mesquita, o mullah incitou-nos a protestar contra queima do Corão e a instalação de bases americanas no Afeganistão».

Além deste protesto em Mazar-i-Sharif, também foram registradas manifestações em Cabul e Herat.


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