A ‘Operação Gandu/Pojuca’, deflagrada conjuntamente pelo Ministério Público estadual, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e de Investigações Criminais (Gaeco), e pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), desarticulou na madrugada de hoje, dia 14 de abril de 2011, nos municípios de Salvador, Pojuca, Gandu, Catu e Simões Filho, uma quadrilha chefiada pelo delegado de Polícia de Gandu, Madson Santos Barros, e que contava com a participação de um soldado da Polícia Militar, um ex-carcereiro e cinco agentes de proteção especial da 2ª Vara da Infância e Juventude de Salvador. Foram cumpridos oito dos 12 mandados de prisão expedidos pelo Juízo Criminal da Comarca de Gandu, e apreendidos, também por determinação judicial, nove pistolas, uma espingarda calibre 12, algemas, coletes balísticos, uniformes, um distintivo da Polícia Civil, além de munições de diversos calibres.
Durante a entrevista coletiva concedida à tarde no auditório da SSP, os promotores de Justiça Ediene Santos Lousado e Paulo Gomes Júnior (coordenadora e integrante do Gaeco), a delegada da Coordenação de Operações Especias (COE), Ana Carolina Resende, e o delegado-geral Adjunto Bernardino Brito Júnior deram detalhes da operação, lembrando que as investigações foram iniciadas separadamente em 2009 pelo Gaeco e pelo COE, que passaram posteriormente a trabalhar em conjunto. A quadrilha que vinha agindo na Região Metropolitana de Salvador é acusada de inúmeros crimes, a exemplo de extorsão e usurpação de função pública, e do homicídio cometido em 1º de maio de 2009 contra Marcos José dos Santos Barbosa, que foi assassinado em sua residência, enquanto dormia, pelo grupo de extermínio liderado pelo delegado Madson Santos Barros. Segundo informou a coordenadora do Gaeco, o Ministério Público ofereceu hoje denúncia por homicídio qualificado (sem chance de defesa) e em concurso de agentes, e está dando continuidade, junto com a Polícia Civil, às investigações para apurar as ações de milícia praticadas pelo bando.
Além do delegado Madson, estão presos na sede da COE o soldado PM Manoel Santos Souza; o ex-carcereiro Milton de Jesus; os agentes de proteção especial Edmilson Ferreira Ramalho, José Sérgio dos Santos de Jesus, João Carlos Batista Neto e Paulo César Góes Dias; além de Jimi Carlos Jardim.
Denúncia
“A barbárie imposta por prepostos da Segurança Pública nesta cidade não só sentenciou à morte um ser humano, como também os direitos e garantias fundamentais de todos os ganduenses. Os denunciados atearam fogo na legislação brasileira e impuseram o direito de matar que só pertence a eles, em desobediência e em desafio aos princípios e leis que norteiam o Estado Democrático de Direito”. Esse é um trecho da denúncia oferecida hoje pelo MP, na Vara do Júri da Comarca de Gandu, contra o delegado de Polícia da cidade, Madson Santos de Barros, e outras sete pessoas acusadas pelo Gaeco do homicídio cometido contra Marcos José dos Santos Barbosa. Na denúncia, os representantes do MP destacam “a forma pela qual o brutal assassinato fora cometido por componentes da polícia judiciária e por agentes de proteção especial (pasmem!!!)”, pontuando que “a não existência de perícia do local do crime, a lavratura ideologicamente falsa de auto de resistência e a falta de mandado judicial evidenciam atividade típica de grupo de extermínio somado ao sentimento de impunidade”.
Além do delegado Madson dos Santos Barros, foram denunciados o soldado PM Manoel Santos Souza; os agentes de proteção especial Edmilson Ferreira Ramalho, Ângelo Maurício Bahia Salles (vulgo ‘Maurício’), João Carlos Batista Neto (vulgo ‘Neto’), José Sérgio dos Santos de Jesus (vulgo ‘Sérgio Pombo’) e Sérgio Roberto Dias Ribeiro (vulgo ‘Sérgio Xureco’), todos da 2ª Vara da Infância e Juventude de Salvador; e Jimi Carlos Jardim. Os promotores de Justiça Paulo Gomes Júnior, Ediene Santos Lousado, Gervásio Lopes da Silva Júnior e Marcos Pontes de Souza (integrantes do Gaeco), Fernanda Presgrave da Silva e Pedro Maia Sousa Marques (da comarca de Gandu) acusam os denunciados de prática de homicídio qualificado (à traição, sem chance de defesa), realizado com a participação de várias pessoas.
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