Violência do Estado e da Sociedade

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Nos EUA, o aborto de um dos trigêmeos pode ser feito até a 16ª semana de gravidez. O procedimento é tão simples que pode ser feito no próprio consultório: com uma agulha, aplica-se uma solução de cloreto de potássio no coração do bebê para ele parar de bater…

Relatam os periódicos que o Departamento de Estado do governo americano afirmou, em documento, que a polícia brasileira desrespeita os direitos humanos e comete abusos como maus-tratos, tortura e assassinato de pessoas presas. O texto também se refere ao problema do trabalho escravo e do trabalho infantil. A crítica dos Estados Unidos ao Brasil faz parte de relatório que o governo americano elaborou sobre a situação dos direitos humanos em 194 países.

O governo brasileiro reage com injusta indignação, pois se defende atacando, A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, declara: “nenhuma questão contida no relatório é nova, assim como não é novo eles (os norte-americanos) se arvorarem em apontar situações diversas sem que analisem suas próprias contradições. Para o mundo, também seria interessante debater a situação de tratamento desumano dos presos de Guantánamo (base norte-americana em Cuba), o tratamento de emigrantes na fronteira com o México, a existência da pena de morte em alguns estados e até a prática de castigos físicos em escolas para disciplinar crianças”, retrucou.

Na contra-argumentação, a ministra Maria do Rosário tocou em um grave assunto quando se refere as atribuições do Estado: a existência da pena de morte em 34 dos 50 estados federativos americanos, isto é, o Estado se arvorar a deliberar pela morte dos seus cidadãos, no lugar de garantir a vida a todos — isto sim dever do Estado.

Mas deixou de destacar outra grave violação ao direito a vida, que é a legalização do aborto nos Estados Unidos. Por quê?

O governo brasileiro anterior — cujo ministro da saúde era o Temporão — era abortista, favorável a legalizar o assassinato de nascituros. O governo atual, da presidenta Dilma, por compromissos eleitorais abdicou, até agora, da bandeira do aborto. Até quando?

Vejam o que o governo americano permite, legalmente: o procedimento chamado de “redução embrionária”, no caso de mães grávidas de trigêmeos. Na verdade o direito a matar um dos três filhos — uma “escolha de Sofia” ao contrário.

Nos EUA, o aborto de um dos trigêmeos pode ser feito até a 16ª semana de gravidez. O procedimento é tão simples que pode ser feito no próprio consultório: com uma agulha, aplica-se uma solução de cloreto de potássio no coração do bebê para ele parar de bater…

Este é um dos mais crueis tipos de violência e desrespeito a vida praticado na sociedade com a autorização do Estado. Compreendendo isso, também podemos entender o porquê da violência social desenfreada — a banalização da violência da qual falava a socióloga Hannah Arendt.

Não alcançamos a civilidade nem nos séculos anteriores de guerras e de dor, nem na atualidade. Quando se trata de violência, tudo é possível, infelizmente.

Também é possível a nossa real capacidade de nos indignar, lutar e protestar contra a violência, tanto do Estado quanto da sociedade.

Obs.: Sofia foi uma judia polonesa prisioneira de um campo de concentração durante a segunda Guerra Mundial. Ela viveu o restante dos seus dias atormentada pela escolha que teve de fazer quando estava presa. Entre todos os horrores pelos quais passou, o pior foi ter de escolher entre seu filho e sua filha qual dos dois deveria ser morto pelo carrasco nazista.

*Com informação: Tribuna da Bahia e FSP


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