Bahia ganha linha marítima direta com a China

O secretário da Agricultura do Estado, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, participa nesta quarta-feira, (18/05/2011), às 16 horas, do lançamento da primeira operação do navio de contêineres que sairá do Porto de Salvador diretamente para a Ásia, sem escalas, atendendo à crescente demanda de escoamento de cargas baianas para o continente asiático. O feito é um dos resultados resultado do esforço para aproximar cada vez mais a Bahia da China.

Nessa primeira operação, o navio CMA CGM Jade vai transportar celulose, couro, sisal e suco congelado. Um dos principais produtos exportados para a Ásia, o algodão baiano, só deve embarcar rumo a este continente em junho deste ano, de acordo com o Tecon Salvador, que oferece serviços de Operação Portuária e está promovendo obras de ampliação no Terminal de Contêineres do Porto de Salvador.

Até então, a exportação do algodão da Bahia era feita por meio de outros portos, embora o Porto de Salvador ofereça a menor distância entre o pólo produtor. Antes da expansão do Porto, já ampliado em 60%, algumas questões inviabilizavam as operações, como o comprimento do cais, a profundidade do berço e a área para armazenamento da carga.

“É um marco histórico para a economia baiana ter esse primeiro navio, que partirá de Salvador direto para a Ásia como resultado dos esforços promovidos pelo Tecon Salvador, Codeba e seus parceiros”, observa Demir Lourenço Júnior, diretor executivo do Tecon Salvador.

O Tecon Salvador, em parceria com Codeba, Seagri e Abapa, vem promovendo uma série de ações para melhorar o transporte do algodão do Oeste Baiano para o exterior, como a realização de visitas a fazendas, produtores, algodoeiras, tradings e associações da região, para entender melhor as demandas de logística de mercado.

Agroindustrialização

A Bahia é o segundo maior produtor de algodão do Brasil, atrás apenas do Mato Grosso. E uma das prioridades do governo do Estado é promover a agroindustrialização deste produto. “A Bahia possui algodão com fios de excelente qualidade, semelhantes aos do Egito, mas não possui uma grande indústria têxtil. Nós queremos mudar essa realidade, agregando valor ao produto e gerando emprego e renda”, destaca o secretário da Agricultura, Eduardo Salles.

Em abril deste ano, em Pequim, o secretário buscou investimentos para agroindustrializar o algodão. Em visita à indústria Hopefull Group Grain Oil Food, ele ouviu do seu presidente a promessa de ajudar com esse objetivo. Shi Kerong, presidente da Hopefull, disse ao secretário que “nosso foco é a soja, mas temos parcerias com a indústria têxtil e podemos ajudar a Bahia a industrializar o algodão”.

O algodão baiano tem excelente produtividade, com 3.900 quilos por hectare, e para a safra 2010/2011, segundo estimativa da Conab , é de 1,511 milhão de toneladas, o que representa crescimento de 48,6% em relação à safra 2009/2010, que foi de 1,017 milhão de toneladas. A área plantada cresceu também 48,6%, passando de 268,8 mil hectares para 387,5 mil hectares.


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