O Instituto Brasileiro de Fibras Naturais (Ibrafibras) está desenvolvendo um projeto, em parceria com a Petrobras Biocombustível e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Universidade Estadual da Bahia (Ceped/Uneb), para inserir na Bahia uma planta piloto de extração de bio-óleo a partir dos resíduos do sisal. A informação foi prestada nesta quinta-feira (12/05/2011) no município de Conceição do Coité, pelo diretor superintendente do Ibrafibras, Fábio Teixeira, durante audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa da Bahia para discutir os problemas e soluções para a cadeia produtiva do sisal.
Para Raimundo Sampaio, superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, o projeto do Ibrafibras é de grande importância e pode ter relevante impacto socioeconômico e ambiental para a região. “Hoje, aproveita-se apenas 5% da folha do sisal, transformada em fibra, 25% é mucilagem e 70% suco, que é ácido e acaba descartado, prejudicando o meio ambiente”, disse Raimundo Sampaio, explicando que a industrialização do sisal e a extração de bio-óleo vai agregar valor ao produto, adensar e dobrar ou triplicar a área plantada, gerando empregos e renda em toda região do sisal.
O superintendente do Ibrafibras, Fábio Teixeira, que fez apresentação sobre os novos produtos industriais à base do sisal, disse que o instituto está desenvolvendo pesquisas e que buscará com suas instituições parceiras, recursos junto à Agência Nacional de Petróleo (ANP) e ao governo estadual para implantar o projeto de extração de bio-óleo. Segundo Teixeira, o projeto deverá ser implantado no Centro de Pesquisas e desenvolvimento da Uneb (Ceped), que tem como diretor Miguel Azcona. O dirigente do Ibrafibras defendeu também a criação de unidade industrial automatizada para trabalhar com todos os subprodutos do sisal em um município da região sisaleira, ainda a ser definido.
Câmara setorial
Raimundo Sampaio apresentou as políticas públicas que estão sendo desenvolvidas pela Secretaria da Agricultura (Seagri) para o fortalecimento da cultura do sisal. Ele confirmou que técnicos da EBDA e da Adab realizaram um mutirão na região com os produtores que utilizam o PEP e verificaram que a produtividade é de 2.216 quilos por hectare. Ele explicou que a Seagri já informou oficialmente a Conab, solicitando que com base neste novo dado seja ampliada a cota do PEP para o sisal.
Na próxima semana será realizada, em Conceição do Coité, uma oficina técnica com a participação de técnicos dos órgãos públicos e privados, produtores e representantes do Banco do Nordeste do Brasil e do Banco do Brasil, para debater as questões de custeio e atualizar o sistema de produção. “Para aumentar a produtividade, é preciso fazer a limpeza da área e dar trato cultural, e para isso o produtor necessita de financiamento para custeio”, explicou Sampaio.
Sampaio confirmou ainda que a Seagri e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) estão agilizando a criação de uma Biofábrica de Sisal, em local a ser definido, com o objetivo de produzir mudas sadias e distribuir com os agricultores familiares. A iniciativa tem o objetivo de combater a podridão vermelha, principal doença que ataca a cultura do sisal.











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