Chineses iniciam visitas a fábricas e áreas de plantio de fumo na Bahia

A comitiva chinesa, que veio avaliar a possibilidade de liberar a exportação de charutos baianos para a China, iniciou nesta segunda-feira (09/05/2011) uma extensa agenda na Bahia. A programação, que continua até a próxima sexta-feira (13/05/2011), inclui visitas a áreas de processamento, plantio e laboratórios.

Nesta segunda pela manhã, o grupo participou de um seminário sobre a cadeia produtiva do tabaco e obteve informações referentes à produção de fumo. No início da tarde, a delegação seguiu para Cruz das Almas dando início às visitas técnicas na região do Recôncavo baiano.

O encontro aconteceu no auditório da Superintendência Federal da Agricultura, nos Aflitos, em Salvador, com a presença de técnicos do Ministério da Agricultura, fiscais agropecuários, engenheiros agrônomos da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), além de representantes do setor produtivo.

Fruto da missão baiana à Ásia, em abril deste ano, quando o governador Jaques Wagner integrou a comitiva da presidente Dilma Rousseff na visita à China, juntamente com representantes do Ministério da Agricultura (Mapa) e da Secretaria de Agricultura (Seagri), a delegação chinesa conhecerá as ações realizadas pela defesa agropecuária no estado.

Segundo o secretário de Agricultura em exercício, Jairo Carneiro, o esforço feito para exportar o charuto baiano para a China converge com a política do governo estadual de erradicar a pobreza e melhorar a renda do trabalhador do campo. “É uma ação de extrema importância para a agricultura familiar de nosso estado”.

Abertura de mercados

Na avaliação do secretário de Defesa do Mapa, Cósam Coutinho, a exportação do tabaco representa a consolidação da qualidade do produto nacional, o rompimento de barreiras comerciais e a abertura de mercados. Ele destacou o panorama da defesa vegetal no Brasil e a importância da revitalização da cultura do tabaco para a economia agrícola. E lembrou que o País possui 3.359 fiscais agropecuários, uma rede consolidada de laboratórios oficiais e credenciados e 106 pontos de ingresso/egresso, entre aeroportos, portos, fronteiras e estações aduaneiras. “Isso significa segurança sanitária para a nossa produção”.

Para a superintendente federal da Agricultura na Bahia, Maria Delian, a exportação do tabaco terá efeito multiplicador, uma vez que diversos países do mundo conhecerão o produto baiano. “E o trabalho desenvolvido pela Adab contribuiu para o fortalecimento do setor, promovendo um salto qualitativo do produto”.

Na opinião do secretário executivo da Câmara Setorial do Charuto, Osvaldo da Paz, a celebração do acordo bilateral entre a Bahia e a China é a principal aposta para a reativação do segmento do fumo. “A Bahia produz um dos melhores fumos do mundo que está livre de doenças como o mofo azul. O acordo vai possibilitar a abertura de mercado, gerando trabalho e renda para milhares de agricultores”.

A produção de tabaco na Bahia concentra-se na região do Recôncavo, principalmente em Cruz das Almas. Somente neste município, três mil empregos diretos são gerados. Em todo o estado, são mais de 12 mil empregos possibilitados pela cultura do tabaco, com predominância da mão de obra feminina – aproximadamente 80% da produção envolve agricultores familiares. A Bahia produz três tipos de tabaco (Brasil, Sumatra e Cuba), voltados para a fabricação do charuto.

Qualidade sanitária

Ainda na parte da manhã, a comitiva chinesa recebeu informações detalhadas sobre as ações de defesa realizadas pela Coordenadoria Regional da Adab de Feira de Santana para a cultura do tabaco. As atividades começaram em 2009 com treinamentos de engenheiros agrônomos para a identificação da praga e procedimentos de coleta de amostras.

Coordenadas por Aurino Soares e Cleômenes Torres, as ações abrangeram 20 municípios produtores, realizando georreferenciamento, inspecionando todas as linhas de plantio para coleta de amostras e aplicando inquéritos fitossanitários em 10% das propriedades – quantidade 5% superior ao que é exigido pelo Mapa.

“Temos todas as ferramentas necessárias para garantir a qualidade sanitária da produção, auxiliando a sustentabilidade do agronegócio”, disse o diretor de Defesa Vegetal da Adab, Armando Sá. De acordo com ele, para dar suporte às ações de defesa, a Bahia dispõe de 43 barreiras fiscais informatizadas e 23 móveis, além de um centro colaborador de Defesa e Pesquisa com respaldo científico para as atividades.


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