Em Salvador, moradores denunciam João Henrique por abandonar periferia.
Em recente entrevista realizada pelo Jornal Grande Bahia (JGB), com a líder comunitária Alaíde Lima, do bairro Pau da Lima, em Salvador. Na oportunidade ela se manteve firme em sua posição e não poupou críticas à administração do prefeito João Henrique (PP). A quem se reporta como João do Buraco, alusão feita aos inúmeros buracos existentes por toda a cidade. Também criticou com ênfase a atuação da mídia que não dá a atenção merecida à periferia, local onde se concentra os mais graves problemas sociais e mesmo assim, permanece esquecida.
JGB – Dona Alaíde Lima, fale um pouco sobre a senhora, sua idade, onde reside, local de origem?
Alaide Lima – Moro no bairro Pau da Lima, na rua Lembemos do Mel, casa nº 15, e tenho 56 anos.
JGB – A senhora trabalha em que seguimento?
Alaide Lima – Eu não trabalho em seguimento algum. A parte do meu trabalho é em rede particular. Não é estadual, nem municipal. Estou participando desse evento por que sou líder comunitária.
JGB – A senhora faz parte de qual associação?
Alaide Lima – A associação Lírio Verde.
JGB – A senhora conhece pessoas que utilizam o Programa Federal, o Bolsa Família, o programa de renda mínima?
Alaide Lima – Não só conheço como também já ouvi e assisti na televisão denuncias sobre pessoas que não tem um mínimo de bom senso, nem responsabilidade, que são proprietários de postos de gasolina e distribuidoras de gás. E que recebem essa renda. O pobre tem que ser reeducado. Essa renda é muito mal distribuída, por que tem pessoas que pegam o dinheiro do Bolsa Escola, Bolsa Família e vai comprar cerveja, como eu já presenciei.
JGB – As pessoas que se utilizam indevidamente do beneficio são moradores do bairro Pau da Lima?
Alaide Lima – Alguns eram moradoras do bairro e todas elas alegam que o dinheiro que recebe, usa do jeito que quiser. Então, o pobre tem que se reeducar, por que se o dinheiro é para alimentação, tem que ser gasto com alimentação. Porque o tíquete do leite não deu certo? Por que tinham pessoas que compravam cigarro, bebida, tudo com o tíquete do leite. A mesma coisa está acontecendo agora com o Bolsa Família.
JGB – A senhora acredita que isso acontece em pequena, média ou larga escala?
Alaide Lima – Eu acredito que não e primeira vez que presenciamos um caso desse tipo, a situação é mais grave pelo simples fato de não existir fiscalização. É como eu acabei de lhe dizer. Tem pessoas que são donos de abatedores de frango, distribuidoras de gás, e recebem de forma indevida. Enquanto há pessoas que necessitam, como no meu caso, e não conto com este tipo de benefício.
JGB – A senhora acredita na eficácia da denúncia anônima por telefone e que ela deve ser feita pelo cidadão para dar visibilidade aos desvios praticados contra os interesses da população?
Alaide Lima – Ajudaria bastante, quantas coisas deixaram de acontecer pelo fato da denuncia anônima. Esse tipo de participação do cidadão ajuda a policia a trabalhar no bairro, nas comunidades. E essa prática deve ser estimulada par não permitir que pessoas que não necessitam deste benefício tirem proveito da situação.
JGB – Como à senhora avaliar o papel da mídia, da imprensa aqui em Salvador?
Alaide Lima – O papel da mídia aqui em Salvador é mais voltado para o centro, enquanto a periferia é esquecida. A periferia só é lembrada na época da política. O prefeito daqui não deveria ter o nome que tem, ele deveria se chamar João do Buraco. Por que todo lugar que você vai a cidade está toda esburacada.
Você só encontra ruas e avenidas bem conservadas em bairros como a Barra Avenida, na periferia é uma vergonha. A EMBASA vem faz um buraco, a COELBA faz outro. As ruas estão cheias de buracos, rede de escoto transbordando pelas calçadas. Então, como é que fica? Vai votar em um político deste nível?
JGB – Há muito lixo na cidade?
Alaide Lima – Muito lixo, rede de escoto entupida. Os alagamentos, tudo por conta das bocas de lobo entupidas. Essa chuva mesmo que teve ai. O pessoal está colocando a boca no trombone, pedindo ajuda para a periferia. Por quer o prefeito só olha para centro da cidade.
JGB – Qual foi à última vez que o prefeito esteve no bairro Pau da Lima?
Alaide Lima – No ano eleitoral.
JGB – Depois disso não mais? Só esteve aqui buscando voto para se reeleger?
Alaide Lima – Só, depois de passado o ano eleitoral, ele não foi mais visto no local. Agora com o retorno do ano eleitoral, eles veem aqui e nos dá parabéns sem bolo. Sabe o que é parabéns sem bolo? Visita o local dá um tapinha nas costas. Pegam em sua mão para adquirir seu voto e depois desaparecem.
Confira o áudio
Moradora do Pau da Lima, Alaide Lima, chama João Henrique de João do Buraco
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, com área de concentração em Cultura, Desigualdades e Desenvolvimento, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). É Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e ex-aluno especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, sendo filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ – Registro nº 14.405), à Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ – Registro nº 4.518) e à Associação Bahiana de Imprensa (ABI-BA). É diretor e editor do Jornal Grande Bahia (JGB). Integra a Maçonaria regular, exercendo o cargo de Mestre Instalado da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Maçônica ∴ Harmonia, Luz e Sigilo, nº 46.
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