Secretário da Educação da Bahia comenta fim da greve de 66 dias; Confira entrevista exclusiva com Osvaldo Barreto

A greve dos professores das universidades estaduais da Bahia durou 66 dias, e ocorreu na segunda metade do primeiro semestre de 2011. Os prejuízos para os alunos, vestibulandos e a sociedade como um todo são irremediáveis. O direito de greve em uma sociedade democrática é sagrado, como é sagrado a sociedade receber por serviços que paga através dos impostos arrecadados. Mas, quando a greve estende-se por demasiado tempo, deve-se perguntar : ela é legítima?

A UEFS recentemente cancelou o vestibular de um ano inteiro. É como se roubasse um ano da sociedade sem se trabalhar. Jovens deixam de ingressar no mercado por conta do atraso no calendário universitário, outros deixam de iniciar a carreira acadêmica. Sem contar o prejuízo com a qualidade do ensino. Fica comprometido de sobremaneira, pois o planejamento educacional é feito de forma anualizada e quando ocorre uma greve de 66 dias, mesmo que se ampliem horários, a capacidade de ensino e apreensão está comprometida. É triste e trágico.

O diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, entrevistou o secretário estadual da educação, Osvaldo Barreto, que disse acreditar na recuperação do calendário acadêmico, mas que não existe um grupo especial na secretaria que possa acompanhar este processo, pois as universidades gozam de autonomia financeira. Porém, esquece o secretário, em uma economia capitalista, quem detém o capital, detém o poder, e que a chave do cofre está com o governador Jaques Wagner.

Jornal Grande Bahia – Secretário, o senhor acaba de enfrentar um longo período de greve. O cidadão, os estudantes foram gravemente penalizados. Em Feira de Santana, a UEFS chegou a cancelar os vestibulares de um ano inteiro, num passado recente, um ano da sua administração. Até quando irá persistir esse tipo de política, onde o estudante é penalizado, a sociedade que paga os impostos é penalizada. 66 dias, existe possibilidade de recuperar esse calendário?

Osvaldo Barreto – Existe. Claro que as universidades estão se organizando para recuperar o calendário. Eu conversei com todos os reitores, e todos estão recuperando o calendário. Agora, é evidente que uma greve dessas, é um prejuízo imenso para os estudantes. O movimento docente tem que pensar mais ao acrescentar uma greve, porque na realidade havia um diálogo por parte do governo, e o governo nunca fechou esse diálogo.

Desde o ano passado que a gente vinha negociando, a proposta estava posta na mesa, no ano passado, e não havia necessidade, eu sinceramente, claro que a greve, a sociedade democrática, as pessoas são livres, as categorias, a fazerem uma greve, nós do governo respeitamos isso, mas temos que reconhecer que uma greve dessas causa um prejuízo terrível à sociedade, aos estudantes.

JGB – Mas, não é um dia nem dois. Isso ai parece que não há paralelo no mundo contemporâneo.  Eu não vejo isso acontecendo em nenhuma parte do mundo, parece que a nossa democracia ou é mais avançada ou é mais…

Osvaldo Barreto – Exatamente. Mas, eu quero dizer o seguinte. Que não há necessidade de greve. Não havia necessidade dessa greve, isso é um prejuízo. E você está falando ai da universidade que cancelou os vestibulares, isso representa uma elevação imensa do custo da universidade por aluno. Sonhos destruídos, e custos para a sociedade, porque você transforma a universidade em algo menor, porque ela tem menos aluno e, portanto, tem mais custos. Ela mantém o custo de professores, custos fixos, com menos alunos e menos aulas.

JGB – O senhor preparou uma equipe de trabalho para acompanhar a recuperação desses 66 dias de greve?

Osvaldo Barreto – Você sabe que as universidades têm autonomia. Eu não posso interferir na vida da universidade, mas nós estamos acompanhando a retomada do semestre e o que irá acontecer no semestre. Sem poder, evidentemente, interferir e determinar como as universidades irão se organizar.


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