Exatamente um ano depois de ter debatido o assunto com os secretários de Agricultura do Recôncavo baiano, durante a VI Expomandioca, o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, participou na noite desta quinta-feira (25/08/2011), da abertura oficial da sétima edição do evento divulgando uma notícia comemorada por todos os elos da cadeia. “Já está tramitando na Assembléia Legislativa um projeto de lei obrigando a adição de 10% de fécula de mandioca na farinha de trigo para produção de pães e massas”. Proposto pela Câmara Setorial da Mandioca e pela Seagri, com sustentação técnica elaborada por especialistas da Embrapa, o projeto foi apresentado na AL pelo deputado estadual Mário Negromonte Júnior. A Bahia é o terceiro maior produtor nacional de mandioca, perdendo apenas para o Pará e Paraná.
Um dos maiores eventos do País e que mostra a força da cultura, a 7ª Expomandioca reúne milhares de milhares de pessoas e lideranças do setor. Em mais 300 estandes, os expositores mostram aos visitantes as várias fazes da mandiocultura e os produtos derivados.
Dois deputados estaduais presentes ao evento se comprometeram a defender a proposta e votar pela aprovação. “Tenho certeza que conseguiremos a aprovação do projeto por unanimidade pelos deputados, já que a mandiocultura está presente nos 417 municípios do Estado”, disse o secretário, acrescentando que “sem dúvida esta ação que começa na Bahia vai contaminar o Brasil e em breve teremos uma lei federal”;
De grande importância para o Estado, a mandiocultura foi selecionada com mais seis culturas consideradas prioritárias e incluída no Programa Estadual “Vida Melhor”, lançado há duas semanas pelo governador Jaques Wagner, em ato que contou com a presença da presidenta Dilma. O “Vida Melhor” é um programa que envolve várias secretárias de Estado, coordenado pela Casa Civil. Cerca de 99 % da mandioca produzida na Bahia é proveniente da agricultura familiar.
“Estudos realizados por especialistas provam que é possível adicionar até 25% de fécula de mandioca à farinha de trigo, sem alterar o gosto e sem qualquer prejuízo, mas adicionar 10% já será um grande avanço”, disse o secretário, lembrando que a mandiocultura está presente nos 417 municípios da Bahia e emprega hoje cerca de 220 mil pessoas. A aprovação da lei vai representar o aumento de 2,5 milhões de toneladas na produção de mandioca e a geração de mais 50 mil empregos. “Será importante para a Bahia e vai significar a sustentabilidade desta cultura em todo País”, disse.
O secretário explicou que a Bahia, que depois de muitos anos de esquecimento entrou firme na era da agroindustrialização, já se preparou para produzir a fécula de mandioca, antes totalmente importada do Paraná. No município de Lage, já foi inaugurada a Coopamido, uma indústria de fécula e amido modificado, e no município de Vitória da Conquista já está em fase de teste e será inaugurada nos próximos dias a Coopasub Amido, uma fecularia da agricultura familiar.
ECONOMIA E SAÚDE
A Bahia começa a atender a demanda e por isso o projeto de lei propõe a introdução da fécula na massa do pão de forma gradual. “Começaremos com 2%, depois 4%, 6 e 8%, e no quinto ano chegaremos a 10%”, detalhou o secretário. Ele entende que este é mais um passo pioneiro da Bahia que logo será seguido por outros estados. “A Bahia consome 450 mil toneladas de trigo por ano. Com a introdução de 10% de fécula na massa do pão, deixaremos de importar 45 mil toneladas de trigo”, avalia Salles.
De acordo com Joselito Mota, técnico da Embrapa especialista no assunto, a fécula de mandioca não contém glúten e atua como diluidor do glúten presente no trigo. Do ponto de vista econômico, o uso da fécula no pão vai representar a economia de R$ 100 a R$ 200 milhões por ano. “O Brasil importa 80% do trigo que consome, sangrando nossa economia em cerca de R$ 1 bilhão por ano.
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