Receitas típicas de assentamentos são destaques em seminário na Chapada Diamantina

O livro digital Culinária de Raiz dos Assentamentos da Chapada Diamantina e Entorno foi apresentado, na terça-feira (30/08/2011), durante o V Seminário de Gastronomia, que tem como tema Receitas Tradicionais da Bahia: memória etnogastronomia. Promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), o evento ocorre no Teatro Sesc/Senac, no Pelourinho, em Salvador (BA).

O livro está em fase de edição final e registro de patente para a proteção da propriedade intelectual em favor dos assentamentos, por isso seu conteúdo completo ainda não foi divulgado.

O Incra apresentou o estudo, registrado no livro digital, que resgata pratos típicos de nove assentamentos, onde residem 1,3 mil famílias e que faz um apanhado de 53 receitas de raiz e suas histórias. A apresentação foi feita pela turismóloga Revecca Tapie, mestre em Turismo e Desenvolvimento pela Universitè Toulouse (França).

Revecca fez parte dos estudos desenvolvidos pelo Incra em parceria com Fundação Juazeirense para o Desenvolvimento Científico, Tecnológico, Econômico, Sociocultural e Ambiental (Fundesf), por meio do Programa Terra Sol. “Fizemos um resgate da potencialidade das culinárias locais e o resultado desse trabalho despertou interesse dos organizadores do evento”, ressalta Revecca.

O evento é voltado para profissionais e estudantes da área de gastronomia, turismo, nutrição, história e hospitalidade. E também reúne especialistas das áreas de antropologia, sociologia e comunicação.

Cortado de Palma

Nas oficinas do Seminário no dia 1º de setembro, três mulheres do assentamento Baixão, localizado em Itaetê, na Chapada Diamantina, irão preparar o Cortado de Palma para a degustação de 20 pessoas do evento. A palma é uma planta típica do Nordeste.

As assentadas vão utilizar ingredientes agroecológicos trazidos do próprio assentamento, inclusive a galinha da roça (caipira). Segundo os dados do livro, o Cortado de Palma é oriundo da época da garimpagem na Chapada Diamantina. Depois passou a ser um prato ligado aos tropeiros que passavam nos locais, onde hoje está o assentamento Baixão, se alimentavam e seguiam viagem vendendo seus utensílios.

Oportunidade

“A participação no Seminário é uma oportunidade para divulgar o patrimônio da história local e difundir tradições da culinária. Pode ser uma chance para que consigamos transformá-lo numa versão impressa”, enfatiza Revecca.

Além do Baixão, onde vivem 130 famílias, fazem parte dos estudos de culinária de raiz, as seguintes áreas de reforma agrária: Europa (50 famílias), Rosely Nunes (159 assentados), Santa Clara (55 famílias), União da Chapada (191 famílias) e Moçambique (50 famílias), situados em Itaetê; além do Salubrinho (38 famílias) e Mocambo (198 famílias), em Andaraí e do Boa Sorte Una (475 famílias), em Iramaia.


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