Oposição fala em compara de apoio através de cargos políticos e obras.
O vice-governador Otto Alencar é o principal articulista, fundador e presidente do recém-criado PSD na Bahia. Para esta tarefa contou com o apoio do petista governador da Bahia Jaques Wagner . Que colhe os frutos desta farra de traições e desrespeito a lei de fidelidade partidária. Com o aval do governador, Otto negociou pessoalmente a adesão de oposicionistas à base. Ao mesmo tempo em que passou a comandar a Secretaria de Infraestrutura do Estado (SEINFRA), com orçamento de R$ 600 milhões para estradas.
A fidelidade partidária é fundamental para um processo democrático onde o povo influência nas decisões dos governantes através da participação nas reuniões do partido. Com a fidelidade, os mandatos tornam-se partidários e não personalistas, como tem sido na atual conjuntura.
O resultado concreto da criação do PSD, em âmbito estadual, é a formação hegemônica na Assembleia Legislativa, da maior bancada governista da história. Maior inclusive da que apoiou, no auge de seu poder, o falecido ex-governador e senador de Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) quando governou a Bahia nos anos 90.
O PSD nasce na Bahia com cinco deputados federais e como a segunda maior bancada da Assembleia, são 11 deputados, atrás somente do PT. Com a migração dos oposicionistas para a base, Wagner terá a seu lado 49 dos 63 deputados estaduais. O deputado feirense, José Cerqueira de Santana Neto ( Zé Neto – PT), na condição de líder do governo e da maioria é quem vai comandar o rolo compressor nas votações da ALBA. Ganhando um incrível poder de articulação e força política junto ao Governo do Estado.
Neoaliados em cargos
Os recentes aliados do governo Wagner indicaram afilhados políticos em autarquias do interior e receberam promessas de obras em suas bases eleitorais. Dos 11 deputados estaduais do PSD, 10 são pré-candidatos ou têm filhos que devem disputar prefeituras em 2012. Apurou a reportagem da Folha.com.
Otto Alencar nega que tenha cooptado políticos para o PSD em troca de cargos. Segundo ele, as adesões foram “naturais” porque eles fizeram campanha para Wagner, à revelia das coligações de seus partidos, ou se aproximaram do governo este ano.
“Quase todos esses deputados já tinham uma longa história política comigo. Não teve a distribuição de um cargo, não me pediram absolutamente nada que não seja obras dentro do programa de investimentos do governo.”
PMDB e Democratas criticam
A erosão da oposição atinge principalmente o partido Democrata que tem à frente José Carlos Aleluia como presidente, e o deputado federal ACM Neto na condição de líder. Outro a sofrer baixas entre seus filiados foi o PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Os dois partidos elegeram, juntos, 11 deputados, mas ficarão com apenas seis após a debandada em direção ao PSD.
Geddel aumentou o tom da crítica e declarou “É a velha chantagem que, na Bahia, o PT está usando. É como se o governo fosse retaliar quem não estiver junto. Estão migrando em troca de benesses”.
Para citar um exemplo pragmático do que declara Geddel, o prefeito de São Gonçalo dos Campos, Antônio Dessa (Furão), deixou o PMDB e ingressa no PSD. Com a mudança partidária conseguiu a promessa de Otto Alencar de que a SEINFRA vai recuperar os quatro quilômetros da Avenida José Carlos de Lacerda, que liga a sede do município a rodovia estadual, sendo o principal acesso da cidade.
História
Quando governador (1991-1994), ACM chegou a contar com uma base de 44 deputados, mas o apogeu de seu grupo político ocorreu na eleição de 1998, quando César Borges (então PFL) foi eleito governador junto com uma bancada de 47 aliados.
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