Na semana em que se comemora o Dia Nacional de Combate ao Câncer, 27.11, o Brasil não tem muito que comemorar. A doença é considerada a segunda que mais mata no país, ficando atrás apenas das enfermidades cardiovasculares. Segundo dados no Instituto Nacional do Câncer – INCA, 17% dos óbitos de causa conhecida são em decorrência de neoplasias malignas, doença comumente conhecida como câncer. Estima-se que desse total, até 10% estejam localizados na cabeça e pescoço. Segundo especialistas da área, para contrapor esses dados alarmantes, a prevenção ainda é o melhor remédio. E um dos médicos responsáveis pela orientação e auxílio no combate e prevenção ao câncer de cabeça e pescoço é o otorrinolaringologista.
Para a médica e vice-presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Bahia, Clarice Saba, os cânceres mais comuns nessa região do corpo são na laringe, boca, faringe, nariz, pele e tireóide. “A principal incidência no país desse tipo de câncer é o que atinge a laringe, igual ao que acomete neste momento o ex-presidente Lula. Infelizmente somos o segundo país do mundo, perdemos apenas para a Espanha”, explica Clarice. Ela relata ainda que o câncer de boca masculino também é muito comum. “Um dos fatores que mais contribuem para o aparecimento desses cânceres é o uso excessivo do fumo e das bebidas alcoolicas. O uso indiscriminado altera a mucosa dos órgãos, levando a uma redução do muco e propiciando um aumento da possibilidade da ocorrência do câncer”.
Prevenção
A otorrinolaringologista Clarice Saba afirma que o diagnóstico precoce é a melhor maneira de prevenir e combater o câncer. Quanto mais cedo é feito o diagnóstico, maior será a chance de sucesso no tratamento ou evitar que uma lesão pré-maligna se transforme em maligna. “Fazemos diagnósticos por meio de exames físicos e complementares, como é o caso da videolaringoscopia (uma microcâmera introduzida pela boca do paciente) e por imagens. É preciso ficar atento às feridas na boca que poderão de tornar câncer, à ocorrência de manchas brancas ou avermelhadas na mucosa da boca, nódulos na região do pescoço que permaneçam por mais de 15 dias, rouquidão contínua, feridas na pele de difícil cicatrização, entre outros sintomas.
Tratamento
Segundo a Sociedade Brasileira de Cancerologia, as três maneiras mais recomendadas de tratamento do câncer são a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. O tratamento irá depender do diagnóstico de cada paciente. São levados em consideração a localização anatômica, o estágio da doença, a dimensão do tumor, a idade, a condição geral do paciente, entre outros aspectos. A partir dessa análise são aplicadas as três formas de tratamento, que podem ser combinadas ou de maneira isolada.
Dica
A médica Clarice Saba ressalta que se o paciente sentir algum dos sintomas citados não deve entrar em pânico. A primeira coisa a fazer é procurar o mais rápido possível um especialista na área. A consulta e o tratamento também podem ser feitos pelo Sistema Único de Saúde.
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