Uma vida, uma comunidade e vários desafios: 25 anos de sacerdócio | Por Reginaldo de Souza Silva

Em junho de 2010 encerrou-se o Ano Sacerdotal e comemoramos os 150 anos da morte do padroeiro dos párocos, São João Batista Maria Vianney, conhecido como Cura D’Ars, que viveu na França entre 1786 e 1859, pároco exemplar que se destacou por seu zelo pastoral e santidade de vida.

O sacerdote é designado como (Padre = Pai), deve ser o homem da Palavra e da Oração, da Eucaristia: o homem de Deus. Na Igreja o sacerdote, tem uma função eclesial, colaborador do Bispo, exercendo a função do pastor, aquele que cuida, nutre e serve, a exemplo de Jesus Cristo que “amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5, 25).

Na história do Brasil e de todas as suas cidades, das pequenas no interior, nos vilarejos e nas capitais, está a presença dos padres. Seu papel relevante está registrado nas Santas Casas, orfanatos, escolas, entidades de atendimento ao povo marginalizado e abandonado e muitos que deram suas vidas para garantir a presença de Deus e a dignidade dos povos. Alguns foram assassinados.

Acolher os sacerdotes procurando aceitá-los na fé, reconhecendo seus limites, pois não sendo super-homens, vivem e testemunham na terra as palavras e exemplos de cristo. Como homens, necessitam da colaboração, mesmo quando deva ser na forma de correção fraterna.

Precisamos da oração, para que os padres permaneçam fiéis à própria vocação até o fim, com paciência e coragem, com o maior dos resultados, serem testemunhas do amor misericordioso de Deus.

Louvar a Deus a cada dia sabendo que ele esta na nossa vida e, sinceramente, gostaria que ele estivesse na vida de todos, pois como ele mesmo disse: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” E assim deve ser a vida do Padre (Pastor), plena! Plena do espírito santo, do espírito de Deus. O amor a Deus e a entrega de sua vida para o seu serviço, não tem sido valorizada pela nossa sociedade, o que vale agora é o ter em detrimento do ser, ter um carro, amigo famoso, estar nos lugares da moda, tudo é relativo, tudo é fluido. A fé e o amor ao próximo em muitas famílias tornaram-se apenas palavras, não encontram testemunho na prática diária.

Está aí um mistério, a vocação de todos à santidade. Pelo batismo, Deus nos chama – chama cada batizado – a ser santo. Onde estará ela? Lendo os relatos bíblicos das vocações dos profetas e outros escolhidos por Deus, percebemos que a escolha é de Deus, Ele é quem toma a iniciativa. Jesus deixa claro, “fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Por que Ele escolhe um e não outro? São segredos que pertencem à misericórdia de Deus. Agora, ao chamado corresponde a resposta, e aí entra a generosidade de cada um. Aquele que responder sim deverá assumir seu sim com alegria, fidelidade, paciência. A resposta positiva de um jovem ou adulto ao chamado de Deus também é um mistério que pertence à ação da graça. Graça que anima o jovem ou adulto a assumir a vida apostólica pública, na qual ele, ao mesmo tempo, que é tirado do meio do seu circulo familiar e de amigos, pela escolha de Deus, é “enviado” no meio do povo (irmãos e irmãs) para amar e servir como pastor até o fim de sua vida.

Como afirma Dom Murilo S.R. Krieger, scj: “A vida dos sacerdotes sempre foi exigente. E nem poderia ser diferente, já que são chamados a continuar a missão de Cristo, o Bom Pastor. Em nossos tempos, porém, os desafios se multiplicam e exigem respostas sábias, decisões imediatas e constantes posicionamentos sobre os mais diversos temas. Portanto, quanto mais santo e sábio for o presbítero, mais e melhor servirá a Igreja. Além disso, como a vocação sacerdotal é um dom de Deus não só para aquele que é seu primeiro destinatário, mas para a Igreja inteira, um bem para sua vida e missão, toda a Igreja é chamada a proteger esse dom, a estimá-lo e a amá-lo. Nas palavras do Papa João Paulo II: “Todos os membros da Igreja, sem exceção, têm a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações”.

Partilhamos com alegria juntos com Arquidiocese de Vitória da Conquista – BA, a Paróquia Nossa Senhora das Graças, o DFCH/UESB a celebração de 25 anos de Ordenação sacerdotal do Padre João Santos Cardoso, coordenador da Pastoral, que em nova terra agora como Dom João Santos Cardoso exercerá o Bispado na Diocese de São Raimundo Nonato (PI)

*Reginaldo de Souza Silva – Doutor em Educação Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

*Com informações: Reginaldo de Souza Silva | reginaldoprof@yahoo.com.br


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