
Confira a entrevista que o governador da Bahia Jaques Wagner (PT) concedeu a Karla Spotorno do jornal Valor Econômico.
Investimentos industriais na Bahia em 2011
Jaques Wagner – Não diria que o ano foi recorde. Os investimentos anunciados são fruto de um trabalho de muito tempo e não de um ano. É preciso entender que o Brasil está colhendo os bons resultados do controle macroeconômico que começou antes mesmo do governo Lula. E a Bahia está dentro desse cenário. A economia baiana tem características importantes que ajudam a compreender essa onda de investimentos.
Somos o quinto território e a quarta maior população no país e temos três biomas muito ricos: a Mata Atlântica, o cerrado e a caatinga. Essa região semiárida é a mais pobre do Estado. Mas se você olhar, há algumas áreas desenvolvidas de grande excelência. O melhor café da Bahia vem dessa região. Temos produção de uva, de maçã, de azeitonas. As duas maiores cidades do Estado depois de Salvador (Feira de Santana e Vitória da Conquista) estão nessa região. Ou seja, é uma área com condições de se desenvolver mais. Na região da Mata Atlântica, estão os grandes fabricantes de papel e celulose e as maiores produtividades em floresta do mundo. No cerrado baiano, os produtores agrícolas conseguem índices de produtividade impressionantes de soja, algodão, milho.
Relação do Estado da Bahia com o comércio internacional
Jaques Wagner – Essa é uma estrutura que não se muda da noite para o dia. Nossa preocupação é trazer empresas de bens de consumo e verticalizar algumas cadeias, como a do café, da soja, da algodão. Temos uma das melhores produções de algodão do país e nenhuma fiação e tecelagem no Estado. Quando tivermos mais indústrias produzindo e vendendo aqui, vou reduzir o problema de ter a indústria instalada aqui, comprando insumo de outros Estados e vendendo para outros países.
Essa situação gera um custo em razão da Lei Kandir e pela estrutura fiscal do ICMS. Para mudar o cenário, definimos três nortes na nossa estratégia. Um é interiorizar. Em cinco anos do governo do PT no Estado, foram gerados 470 mil empregos formais com carteira assinada. Cerca de metade no interior. O outro norte é diversificar. Um exemplo é a setor da energia eólica que atraiu multinacionais, entre elas a General Electric. Pelos estudos, a Bahia tem “uma Itaipu e meia” em capacidade de geração de energia e é a segunda maior jazida de ventos do Brasil. O terceiro vetor de crescimento é o estímulo aos micro e pequenos empreendimentos. Criamos um programa para o artesanato, um selo para agricultura familiar. Isso é uma forma de reduzir a dependência que a economia baiana tem de grandes empresas.
Alta taxa de desemprego
Jaques Wagner – Os nossos números, mesmo sendo grandes, são declinantes. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho (CAGED), a Bahia tem gerado cerca de seis de cada dez novos empregos no Nordeste. Não sei se eu concordo com a tese de que esse excedente é bom, porque não há mão de obra especializada em excesso. Quem está desempregado precisa passar por uma qualificação para entrar no mercado de trabalho. Esse é nosso grande desafio.
Redução do analfabetismo
Jaques Wagner – O analfabetismo é um problema estrutural na Bahia. É o retrato mais agudo da desigualdade historicamente existente no Estado. Quando assumimos o governo pela primeira vez, em 2007, decidimos mergulhar nos problemas sociais. Desde então, conseguimos alfabetizar mais de 850 mil pessoas com o Todos pela Alfabetização (Topa). Tem sido um verdadeiro mutirão, e os resultados aparecem. A Bahia é o Estado com o maior avanço em problemas sociais como esse. A taxa de analfabetismo caiu 6,22 pontos percentuais entre 2001 e 2010, e a taxa brasileira 2,78.
Prioridades para 2012
Jaques Wagner – Não dá para ficar inventando muita coisa neste ano. Tenho de manter o foco. A prioridade da minha gestão continua sendo a inclusão produtiva e social. Quero continuar gerando emprego e estimulando o empreendedorismo no Estado. Na prática, tenho mais dois anos e meio de governo. Em junho de 2014, já começa a disputa eleitoral. Por isso, não posso mudar o foco. Agora, é trabalhar para ver a realização dos projetos em infraestrutura e de melhoria da máquina pública.
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