Serra das Paridas é o primeiro sítio pronto para Circuitos Arqueológicos na Chapada Diamantina

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Um dos maiores sítios arqueológicos da Bahia, a Serra das Paridas, localizado a cerca de 36 km da cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, já está praticamente pronto para receber visitantes. O sítio integra o Projeto Circuitos Arqueológicos da Chapada, proposto pela Secretaria de Cultura (Secult), através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), em parceria com o departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com base em bens culturais de relevâncias históricas e simbólicas encontrados na região.

“A ideia começou em 2008 quando realizamos o Fórum de Patrimônio Material em Lençóis, reunindo prefeituras, agentes públicos municipais e estaduais, além de representantes da iniciativa privada, como agências de viagem e guias de turismo”, disse no último domingo, dia 22, o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, ao visitar o sítio arqueológico Serra das Paridas acompanhado pelo Secretário de Cultura, Albino Rubim, 22 técnicos e assessores da secretaria.

Formando uma caravana cultural que fica na Chapada até esta quinta-feira (26/01/2012), o grupo está visitando os municípios de Lençóis, Wagner, Nova Redenção e Iraquara, realizando circuito-piloto para ter a viabilidade de roteiros culturais em sítios e locais com edificações tombadas e manifestações tradicionais.

“Depois dessa visita poderemos ter mais parcerias com secretarias estaduais, que dispõem de turismólogos, engenheiros ambientais e outros especialistas, que podem aprimorar o projeto”, disse o diretor do IPAC. O projeto já pesquisou, identificou e registrou 57 sítios de pinturas rupestres na Bahia, bens paisagísticos e edificações reconhecidas como patrimônios culturais. O objetivo é criar roteiros culturais que estimulem o desenvolvimento econômico sustentável dessa área. “Começamos com o primeiro, para termos certeza da viabilidade”, disse Mendonça.

A caravana de 22 pessoas da Secult/IPAC enfrentou estradas de terra, muito sol, caminhos tortuosos de pedras e passagens por cavernas para conhecer de perto o sítio das Paridas que dispõe de belas pinturas em tons ocre, amarelo, preto e branco, feitos a centenas de anos atrás por agrupamentos de coletores-caçadores que ali viveram periodicamente. A Paridas é um conjunto formado por quatro sítios arqueológicos. Segundo o arqueólogo, professor da UFBA e coordenador geral do projeto, Carlos Etchevarne, dos quatro, apenas o sítio Serra das Paridas I está aberto para a visitação. “Os demais ainda estão em fase de estudo”, disse o especialista que também acompanhou a equipe da Secult/IPAC.

Para o pesquisador em Arqueologia e assistente-chefe do professor Etchevarne, Alvandyr Bezerra, existem duas versões para o nome do local. Segundo moradores a serra era utilizada por onças para terem os filhotes. Já outra versão aponta que o nome foi dado devido a algumas pinturas antigas aparentando mulheres em posição de cócoras, prontas para parir, como algumas índias brasileiras fazem até hoje. A Paridas tem predominância de pinturas que formam desenhos geométricos, distribuídos em vários paredões e abrigos. “Encontramos triângulos e quadrados, e outros mais complexos, além de imagens de animais e vegetais”, diz Bezerra.

“É importante entender o local como indício de ocupação humana de grande valor histórico. O circuito é uma forma de garantir que as pessoas façam turismo e ao mesmo tempo tenham acesso à informação de preservação para que futuras gerações tenham acesso e entendam o passado”, conclui o Bezerra. Com território formado há 1,7 bilhão de anos atrás, a Chapada encontra-se a 400 km da capital baiana, detém as maiores altitudes do Nordeste brasileiro – com pontos de mais de 2 mil metros de altura –, enorme variedade ambiental e significativas edificações dos séculos XIX e XX.

O projeto do IPAC/UFBA também promoveu mobilizações, oficinas e cursos durante 15 meses em seis municípios, Lençóis, Palmeiras, Iraquara, Morro do Chapéu, Wagner e Seabra. Cerca de 450 pessoas foram beneficiadas, transformando-se em multiplicadores. Foram realizados ainda Seminário Internacional de Arte Rupestre com estudiosos franceses e a renomada arqueóloga Niéde Guidon, o 5º Seminário de Arte Rupestre e a 3ª Reunião da Associação Brasileira de Arte Rupestre. Por fim, foi montada a exposição Circuitos Arqueológicos em Salvador em setembro e outubro do ano passado (2011).

“Os gestores públicos municipais, empresários que investem nessa área e todos os interessados na Chapada devem se unir pela preservação de sítios como esses”, alerta o diretor do IPAC. “A meta é mostrar que o turismo cultural é um vetor viável para o desenvolvimento econômico sustentável desses municípios e suas populações, a partir de atrações culturais valiosas”, finaliza Mendonça.

Durante o dia de hoje (25/01/2012), a caravana Secult/IPAC/UFBA visita a Lapa Doce, Lapa do Sol, Pratinha e Iraporanga, todos em Iraquara, este último, um distrito que detém antiga povoação sob estudo para tombamento pelo IPAC como patrimônio cultural da Bahia. Ao término do dia ocorrerá o lançamento da Cartilha de Circuitos Arqueológicos, mais um produto do IPAC/UFBA.

Nesta caravana estão sendo distribuídos 100 folders de Patrimônio Cultural, 100 folders dos Circuitos Arqueológicos, 40 Guias de Orientação aos Municípios Baianos, além de kits com a série Cadernos do IPAC que tratam de bens culturais imateriais.

Saiba +

Informações através do site http://www.ipac.ba.gov.br ,

ou na Coordenação de Articulação (Coad) do IPAC, via endereço eletrônico coad.ipac@ipac.ba.gov.br e pelo telefone (71) 3116-6945.


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